O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Giuseppe Cocco, da área de comunicação, conhece bem a realidade da França por ter nacionalidade francesa. Ele morou no país que foi vitimado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e ficou sensibilizado pelas notícias, lamentando os ataques que, segundo ele, derivam do fundamentalismo do Estado Islâmico que age na Síria, no Líbano e no norte da África. "É um processo parecido com o nazismo, que usou a cultura alemã para fechar a Alemanha a mudanças. No caso do Estado Islâmico, eles usam a religião para criar um choque de civilização e cultura na Europa", argumentou.
O objetivo dos ataques parece ser a limitação das possibilidades de transformação através da instalação de um clima de medo generalizado. É um processo reacionário", disse. Não à toa, os bairros atingidos são bastante populares e caracterizados pela mistura de povos e culturas. "As pessoas que morreram são jovens que estavam se divertindo, ouvindo música, em shows de rock ou assistindo futebol. Atacaram o que tem de melhor na França, na esperança de que tudo piore", lamentou.
A expectativa de Cocco é que os franceses permaneçam de mente aberta e que o país mantenha-se firme na defesa das liberdades. "Em várias cidades, as pessoas estão se reunindo nas praças para reafirmar que continuarão vivendo do mesmo jeito. O medo não pode virar referência, apesar dos ataques não serem mais uma ameaça e sim uma realidade", destacou.
Ele lembra que o grupo jihadista Estado Islâmico assumiu recentemente o atentado que derrubou um avião russo na região de Monte Sinai, no Egito. Além disso, ataques como o de Paris aconteceram em outubro, em uma manifestação democrática na capital da Turquia, Ancara, quando morreram mais de cem pessoas, e nesta semana no Líbano, deixando mais de 40 mortos. "Não existe saída simples, mas cabe ao mundo apoiar a resistência contra o Estado Islâmico no Oriente Médio", opinou.

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