Duplo atentado no Egito mata dezenas de cristãos
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domingo, 09 de abril de 2017
France Presse 

Cairo - Dois atentados com bomba reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) deixaram ao menos 44 mortos e dezenas de feridos em duas igrejas coptas no Egito, nos ataques mais sangrentos dos últimos anos contra a minoria cristã deste país.
Um terrorista suicida lançou um ataque contra uma igreja da Alexandria (norte) no qual 17 pessoas morreram e 48 ficaram feridas, segundo o último balanço atualizado do ministério da Saúde divulgado na tarde de domingo (9). O indivíduo, que transportava um cinturão de explosivos, detonou sua carga depois que a polícia o impediu de entrar na igreja de São Marcos, indicou o ministério do Interior.
O papa copta Teodoro II, que havia acompanhado as celebrações de Domingo de Ramos na manhã de domingo naquele local, abandonou o templo antes da explosão, informou seu secretário pessoal.
Horas antes, um primeiro atentado deixou 27 mortos e 78 feridos na igreja Mar Girgis de Tanta, 120 km ao norte do Cairo, no delta do Nilo.
"A explosão foi registrada nas primeiras fileiras, perto do altar durante a missa", disse o general Tarek Atiya, adjunto do ministro do Interior encarregado das relações com a imprensa.
Imagens divulgadas pela rede de televisão privada Extra News mostravam o chão e as paredes brancas da igreja cobertos de sangue, assim como bancos de madeira destruídos.
O EI reivindicou os dois atentados no início da tarde, meses depois de seu braço sírio convocar a atacar "os infiéis ou apóstatas no Egito e em toda parte", uma forma de se referir à comunidade copta.

PESAR - As explosões ocorreram alguns dias antes de uma visita do papa ao Egito, nos dias 28 e 29 de abril. "Ao meu querido irmão, sua santidade o papa Teodoro II, à igreja copta e a toda a querida nação egípcia expresso meu profundo pesar", declarou o papa Francisco durante a oração do Ângelus após saber do ocorrido. Poucas horas depois dos atentados, o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, pediu que o exército mobilize suas forças para proteger as "infraestruturas vitais" do país.
Seu primeiro-ministro, Sherif Islamil, insistiu, por sua vez, na "determinação do Estado para erradicar semelhantes atos terroristas e eliminar pela raiz o terrorismo".
O presidente americano, Donald Trump, condenou o atentado em sua conta no Twitter, e o Conselho de Segurança das Nações Unidas classificou estes ataques de "odiosos" e "covardes".
Al Azhar, a prestigiada instituição do Islã sunita com sede no Cairo, também condenou este ataque. "O objetivo deste covarde ataque terrorista é atentar contra a segurança e a estabilidade do Egito, e a unidade do povo egípcio, o que exige que todos os integrantes da sociedade permaneçam unidos", afirmou. No dia 11 de dezembro, um suicida do EI matou 29 pessoas na igreja copta de São Pedro e São Paulo no Cairo.
Com o atentado do Cairo, se multiplicaram os apelos a endurecer a luta contra o movimento extremista no Egito, sobretudo no Sinai, onde realizou uma série de ataques sangrentos contra as forças de segurança.
Os coptas ortodoxos do Egito representam a comunidade cristã mais numerosa do Oriente Médio e uma das mais antigas. Seus membros dizem ser vítimas de discriminações em todo o país por parte das autoridades e da maioria muçulmana.


