A Duma - Câmara Baixa do Parlamento - rejeitou ontem, pela segunda vez, Viktor Chernomyrdin, indicado para o cargo de primeiro-ministro da Rússia pelo presidente Boris Yeltsin. Na votação, 273 deputados foram contra Chernomyrdin, enquanto 138 votaram a seu favor. Não houve nenhuma abstenção. Yeltsin prometeu indicar novamente o primeiro-ministro interino para a terceira e última votação. Se houver nova rejeição por parte da Duma, Yeltsin dissolverá a câmara e convocará novas eleições parlamentares.
Antes de ter seu nome rejeitado mais uma vez, Viktor Chernomyrdin discursou para a Duma e apresentou os principais pontos de seu programa político-econômico com o objetivo de recuperar a moribunda economia russa.
Os principais pontos de seu discurso foram os seguintes: o país precisa de um governo forte; a liderança do banco central deve ser fortalecida; os impostos precisam ser reduzidos para estimular a produção, além da oferta de estímulos fiscais; o orçamento tem que ser balanceado; a dívida deve ser paga; os consumidores necessitam ter proteção contra a inflação; o rublo precisa ser fortalecido, com sua cotação vinculada às escassas reservas de ouro e dinheiro, mas sua flutuação precisa ser permitida; os negócios envolvendo troca de bens e serviços na economia precisam ser eliminados; O governo deve seguir rígida disciplina fiscal.
G-7 debate crise A Grã Bretanha informou ontem que convidou autoridades dos ministérios das Finanças e do Exterior dos países membros do G-7 (grupo das sete nações mais industrializadas do mundo) para uma reunião a ser realizada sábado, a fim de discutir a crise econômica na Rússia. Um porta-voz do Ministério do Exterior disse que a maioria dos governos do G-7 já respondeu positivamente ao chamado e o encontro tem ‘‘quase 95% de chances’’ de ser realizado.
O convite britânico foi feito após a Duma rejeitar pela segunda vez a nomeação de Viktor Chernomyrdin para o cargo de primeiro-ministro, deixando a Rússia sem governo.
Além dos países membros do Grupos dos Sete - Grã Bretanha, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá -, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) atenderiam também ao pedido de Londres, segundo o porta-voz. A Comissão Européia (CE) e a União Européia (UE), atualmente presidida pela Áustria, também seriam representadas.
Autoridades da UE disseram que o pedido britânico para a reunião foi feito devido à necessidade de se desenvolver uma estratégia coordenada uma vez que o novo governo russo esteja instalado. ‘‘A proposta principal do encontro é preparar uma resposta para depois da crise política, essencialmente para discutir o que deverá ser feito quando o novo governo tomar posse’’, afirmou uma autoridade monetária da UE.

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