France Presse
De Moscou
Os deputados russos confirmaram nesta segunda-feira o candidato do Kremlin, Vladimir Putin, no cargo de primeiro-ministro, expressando desta forma sua vontade de evitar a todo o custo um avanço ou a anulação das eleições legislativas previstas para 19 de dezembro.
Os 233 deputados da Duma (câmara baixa do Parlamento) votaram a favor da posse do ex-chefe dos serviços secretos, que precisava de uma maioria absoluta de 226 votos. Oitenta e quatro deputados votaram contra e 17 se abstiveram.
O presidente Boris Yeltsin demitiu o governo liderado por Sergei Stepashin no último dia 9 e nomeou Putin para sucedê-lo. Falando aos deputados da Duma antes da votação, Putin disse que recebeu a aprovação de Yeltsin para mudar o menor número possível de membros do gabinete. ‘‘A política econômica será uma continuação da do governo anterior’’, disse Putin à Duma.
Se a Duma recusar por três vezes ratificar o candidato do Kremlin, se arrisca a ser dissolvida pelo presidente, segundo a Constituição. Pouco antes da votação, os chefes dos grupos parlamentares, opositores do Kremlin - os comunistas e seus aliados mas também os reformadores de Iabloko -, decidiram não dar quórum de voto, uma posição favorável à eleição do candidato.
‘‘Assim como está a situação no Daguestão’’, onde as tropas russas se opõem aos islâmicos há 10 dias, ‘‘é necessário qualquer governo que funcione’’, avaliou um dos porta-vozes do PC, Serguei Rechulski.
Os centristas e os reformadores votaram não por Putin mas sim ‘‘pela estabilidade do país’’, segundo Vladimir Ryjkov (NDR) ou para ‘‘não deixar que a Rússia se afunde na crise’’, segundo Grigori Ialinski (Iabloko).
‘‘Quero continuar com as reformas, não como um objetivo em si, mas para melhorar a vida das pessoas’’, declarou Putin. ‘‘Até outubro, queremos resolver o problema dos salários e pensões e, em seguida, aumentá-los’’, assegurou.
Putin prometeu resolver o conflito armado no Daguestão - em parte ocupado por rebeldes muçulmanos - sem instaurar o estado de emergência, que poderá levar à anulação de todas as eleições.
Depois prometeu dar seu apoio ao exército (‘‘Queremos que os militares sejam respeitados de novo’’), ao complexo militar-industrial (‘‘teremos que perdoar as dívidas orçamentárias’’), às regiões (‘‘É necessário que todas as regiões sejam iguais’’).
Finalmente preconizou ‘‘ordem e disciplina mais duras no país’’, afundado numa grave crise política com quatro reorganizações ministeriais em 17 meses.Novo primeiro-ministro inicia quarta reorganização ministerial em 17 meses em meio a mais uma guerra com rebeldes islamitas no Cáucaso
France PresseNovo governoEnquanto o exército tenta sufocar rebelião muçulmana no Daguestão, Vladimir Putin (destaque) busca credibilidade

mockup