Duhalde oficializa sua candidatura
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domingo, 18 de outubro de 1998
Ariel Palacios Agência Estado 
O governador da Província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, lançou oficialmente ontem sua candidatura à Presidência da Argentina. Duhalde, um dos dois pré-candidatos do partido do governo, o Partido Justicialista (mais conhecido por Peronista) baseou seu discurso em uma recuperação do peronismo que o presidente Carlos Menem pôs no ostracismo.
Menem adotou o neoliberalismo na Argentina e Duhalde quer um Estado assistencialista e protetor. Não da mesma forma que o Estado peronista foi no passado, mas em uma versão light, palatável aos investidores internacionais.
Duhalde lançou sua candidatura em grande estilo: reuniu 80 mil pessoas na Plaza de Mayo, fazendo, desde o último discurso do general Juan Domingo Perón, o maior comício dos últimos 23 anos na histórica da praça, situada na frente da sede do governo, a Casa Rosada.
Durante seu discurso, Duhalde relembrou o general Juan Domingo Perón e sua mulher, Evita, como exemplos a ser seguidos e criticou a falta de justiça social, apesar de ressaltar que existe estabilidade econômica. O objetivo imediato do comício foi demonstrar que o peronismo começa a ter novo dono. Foi um desafio declarado a Menem, que estava em Portugal, participando da cúpula latino-americana.
Com o comício, Duhalde pretende marcar sua diferença com seu concorrente dentro do partido para a sucessão presidencial, o ex-cantor de baladas românticas e ex-governador de Tucumán Ramón Palito Ortega. Palito, secretário de Desenvolvimento Social, é o Delfim de Menem.
Duhalde deseja ocupar o Sillón de Rivadavia, como é denominada a poltrona presidencial, desde que foi vice de Menem. Ambos foram eleitos em 1989. Menem, a contragosto, aceitou-o como vice porque precisava dos milhões de votos da Grande Buenos Aires que eram controlados por Duhalde, na época, prefeito do mais populoso município da área, La Matanza.
Na ocasião, Menem prometeu a Duhalde que este seria seu sucessor em 1995. As relações entre eles começaram a esfriar quando Menen conseguiu modificar a Constituição, possibilitando uma reeleição.


