Um sacerdote pedófilo irlandês, cujo procedimento de extradição provocou o escândalo que fez um governo cair, em novembro de 1994, foi condenado ontem, em Dublin (Irlanda), a doze anos de prisão por ter abusado de 20 crianças. Brendan Smyth, de 69 anos, e que se reconheceu culpado de 74 delitos cometidos em um período de 36 anos, já cumpriu uma pena de prisão na Irlanda do Norte por abusar de crianças em Belfast. Libertado em março passado, foi detido em sua volta ao País.
Smyth fugiu de Ulster em 1994 para evitar a prisão e se descobriu pouco depois que o tribunal de Dublin omitiu deliberadamente durante vários meses estar dando curso ao pedido de extradição da polícia irlandesa. Em meio às acusações de negligência e de complacência contra a Igreja, a coalizão, então no poder, se dividiu em disputas que levaram à demissão do primeiro-ministro Albert Reynolds.
O juiz que condenou Smyth disse que ele, ordenado em 1951, abusou de crianças durante toda sua carreira religiosa, tanto na Irlanda, como em Ulster, Escócia e Estados Unidos, para onde foi chamado por sua hierarquia, depois de reveladas as acusações de pederastia.

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