Miami - Os eleitores da Flórida (sudeste), um Estado que permanece, como em 2000, um dos mais disputados na corrida à Casa Branca, começaram a votar ontem, duas semanas antes da eleição presidencial dos Estados Unidos. Assim como a Flórida, cerca de trinta Estados autorizaram este ano o voto antecipado, para evitar longas filas e colégios eleitorais cheios no dia 2 de novembro.
Mais uma vez, a eleição se prevê acirrada na Flórida, estado onde o resultado contestado das presidenciais de 2000 ainda está nas memórias. O atual presidente, o republicano George W. Bush, havia vencido na Flórida em 2000 por apenas 537 votos de diferença ante o seu então adversário democrata Al Gore, após 36 dias de extrema confusão e da intervenção da Corte Suprema.
Bush visitou no sábado West Palm Beach, uma região devastada em setembro por dois ciclones. Por sua vez, o democrata John Kerry passou na mesma cidade na noite de domingo, e estava em Orlando ontem. O presidente passou novamente pela Flórida na noite de ontem e hoje.
Duas pesquisas de opinião publicadas neste final de semana apontam um empate técnico entre os dois candidatos neste Estado crucial que possui 27 grandes eleitores, ou seja, mais do que qualquer outro dos cerca de 15 Estados considerados indecisos. É preciso reunir pelo menos 270 grandes eleitores para chegar à Casa Branca.
Kerry pode se vangloriar de contar com o apoio de vários jornais importantes da Flórida, como o Miami Herald, o St. Petersburg Times, o Florida Today e o Sun-Sentinel, de Fort Lauderdale. Nesse fimm de semana, 27 jornais, liderados pelo New York Times, manifestaram seu apoio oficial a Kerry. Tanto o estado-maior de campanha democrata quanto o republicano pediram a seus partidários que votem o mais cedo possível, para poder preparar eventuais recursos ante tribunais.
O ex-presidente democrata Jimmy Carter, acostumado com missões internacionais de vigilância de eleições, se declarou ontem ''ainda preocupado'' com a confiabilidade do voto na próxima eleição presidencial. ''Ainda estou preocupado com eventuais irregularidades no dia da eleição, como as que foram registradas na Flórida há quatro anos'', declarou Carter à rede de televisão ABC.
''Se a eleição for muito acirrada, práticas irregulares de alguns líderes políticos poderosos poderiam influenciar o processo eleitoral, principalmente em estados como Flórida e Ohio, onde existem dúvidas sobre uma eleição justa, aberta e transparente'', explicou o ex-presidente.
De fato, apesar de o sistema de cartões perfurados tão criticado em 2000 ter sido suprimido, o novo sistema, com máquinas com tela tátil, sensível ao toque, suscita novas preocupações. Estas máquinas não permitem recontar os votos, e não existe qualquer prova no papel dos votos computados. Além disso, os detratores destas máquinas destacam que não há jeito de saber se elas são defeituosas ou falsificadas.

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