Duas explosões matam 56 no México
Víctor Flores
France Presse De Celaya, México
Dezenas de cadáveres mutilados e carbonizados, estendidos no solo de um ginásio esportivo, que já começam a cheirar mal por causa da falta de refrigeração, era a comovente cena no improvisado necrotério na cidade de Celaya, na madrugada de ontem. Duas explosões registradas no começo da tarde de domingo transformaram em um inferno esta cidade do estado de Guanajuato (centro), produzindo um trágico balanço parcial de 56 mortos e 348 feridos, segundo dados oficiais, que podem aumentar quando forem removidos os escombros.
A tragédia se deveu ao fato de que pessoas sem escrúpulos traíram a confiança das autoridades e instalaram depósitos clandestinos de pólvora e fogos de artifício em casas de doces e mercearias, de maneira disfarçada, disse à AFP o presidente da Cruz Vermelha de Celaya, Alfredo Sayej Gyusar.
A primeira explosão ocorreu justamente em um depósito de pólvora e fogos, praticamente destruindo 25 estabelecimentos comerciais, em sua maioria restaurantes populares, que naquela hora, 11h30 locais (13h30 de Brasília), estavam superlotados.
Vidraças, paredes e automóveis voaram quando o depósito de pólvora explodiu, muito perto do terminal de ônibus e do mercado central, em um domingo de lazer nessa área popular de grande atividade comercial.
De aprazível e próspera cidade, Celaya a 300 km ao norte da capital mexicana se transformou em um inferno, pela violência das explosões e pela multidão que circulava por suas ruas naquela hora.
Após a primeira explosão, com o fogo ainda fora de controle, seguiu-se uma segunda, 15 minutos depois, quando foi pelos ares um botijão de gás, arrasando alguns estabelecimentos comerciais 200 metros em torno. Dois quarteirões foram destruídos e reduzidos a escombros.
Quando as atividades de resgate e controle do incêndio eram febris, a segunda explosão destruiu cinco patrulhas, uma ambulância, um caminhão de bombeiros e uma caminhonete com jornalistas. Morreram, naquela hora, três membros de equipes de resgate, três bombeiros, um policial e um jornalista.
Não pudemos fazer nada, morreram em nossas mãos, eles expuseram suas vidas para salvar outras pessoas, disse uma voluntária de grupo de resgate.
A área onde ocorreram as explosões, em pleno centro desta cidade de meio milhão de habitantes, está isolada em um raio de 2 km em torno, de onde foram retiradas milhares de pessoas.
Octavio Hirán, supervisor da Proteção Civil, informou que 1.200 policiais, 40 ambulâncias e 15 tanques de água integram o dispositivo de segurança e resgate.Depósitos clandestinos de pólvora (para fabrico de fogos de artifício) foram pelos ares arrasando a cidade de Celaya
France PresseResgateBombeiros trabalham com afinco na remoção dos destroços deixados pelas duas explosões ocorridas na tarde de domingo





