Draskovic promete autonomia ao Kosovo
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domingo, 11 de abril de 1999
Reali Júnior, Agência Estado 
O antigo chefe da oposição ao presidente Slobodan Milosevic, atual vice-primeiro-ministro do governo iugoslavo, Vuk Draskovic, afirma que seu país concorda em dar uma ampla autonomia ao Kosovo, mas sob direção sérvia, desejando concluir, o mais rapidamente possível, um acordo político com o líder albanês do Kosovo, Ibrahim Rugova.
Esse acordo, segundo ainda o vice-primeiro-ministro iugoslavo, permitiria o retorno imediato de todos os refugiados albaneses da Sérvia, Macedônia, Montenegro e da Albânia. Draskovic vai mais além, admitindo também a presença de uma força de interposição estrangeira, desde que o acordo seja assinado. Tudo isso porque ele está convencido que essa guerra é um trágico mal-entendido.
Draskovic surge como uma nova carta do presidente Milosevic, um inesperado relações públicas do regime, alguém que se ocupa de relações externas do governo, ex-negociador sérvio na Conferência de Rambouillet, mas cuja credibilidade hoje já não é a mesma de antes.
No passado, ele surgiu como o grande contestador do regime Milosevic e, em pelo menos duas ocasiões, em 1991 e 1993, esse ex-dirigente da oposição foi preso e liberado graças à intervenção da primeira-dama francesa da época, Danielle Mitterrand, que intercedeu a seu favor junto a Milosevic.
Há apenas dois anos, Draskovic se referia ao regime com palavras duras em nome do Movimento de Renovação Sérvia (MPO), exortando os ocidentais a jamais negociar com o terrorista de Estado, Slobodan Milosevic. Esse intelectual, escritor de sucesso na Iugoslávia, imaginava um futuro como o de Vaclav Havel, atual presidente checo, um pacifista que denunciou a guerra na Croácia e na Bósnia, mas que hoje procura, como outros políticos tão conhecidos, minimizar suas declarações e posições políticas anteriores, rejeitando seu próprio passado.
Seus adversários dizem que esse político iugoslavo já mudou tanto, só não tendo renunciado sua barba negra que lhe dá um certo carisma. Nessas últimas semanas, ele está ressurgindo na cena política e diplomática, prometendo a desmilitarização do Kosovo, disposto a conceder aos albaneses o mais elevado grau de autonomia que a Europa jamais viu, mas no contexto do respeito às fronteiras sérvias.
Segundo ele, os sérvios já admitem conceder aos albaneses uma total independência de suas leis, mas a condição que o mesmo direito seja garantido também aos sérvios do Kosovo.
A seu ver, a melhor solução seria a existência de dois sistemas legais paralelos que poderiam constituir os órgãos do poder comum da província. De um lado os sérvios garantiriam aos albaneses a exoneração de todos dos impostos e taxas que os cidadãos pagam ao Estado iugoslavo, tributos que eles passarão a pagar a seus próprios órgãos provinciais. Com esse dinheiro eles poderão construir e manter universidades, seus sistemas de comunicação, financiar sua infra-estrutura, em outras palavras, as necessidades da população albanesa que até agora eram pagas pelo Estado iugoslavo.
Hoje, Vuk Draskovic, quando indagado porque mudou de posição tão rapidamente, pois há apenas dois anos exigia a destituição de Slobodan Milosevic e hoje é seu vice-primeiro-ministro, responde de forma pouco transparente citando contradições dos outros: Há dois anos participamos durante três meses de manifestações anti-Milosevic, mas não utilizamos bombas. Há seis anos, a França me salvou da prisão de Milosevic, mas hoje são as bombas francesas que caem sobre meu país e meu povo.
Segundo Vuk Draskovic, é difícil imaginar que meu pai tenha lutado sob as ordens de generais franceses na primeira guerra. Eu preferiria ser atacado por uma centena de aviões alemães do que por um único avião francês, o que pode explicar o fato desse conflito ser para os sérvios um grande e trágico mal-entendido.


