Cannes - Anunciado por uma deslumbrante Jane Fonda, cuja presença estimulou todas as jovens mulheres a chegar logo à terceira idade, o filme romeno ''4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias'' ganhou ontem à noite a Palma de Ouro do 60º Festival de Cannes. O resultado agradou a crítica e era de certa forma esperado, já que o denso drama sobre o aborto, ambientado pelo diretor Cristian Mungiu nos últimos anos da era comunista de Ceausescu, tinha sido bem recebido pela crítica.
Aliás, o prêmio da FIPRESCI, a Federação Internacional da Crítica, também foi para o filme da Romênia, coincidência que há muitos anos não acontecia.
Se havia um ligeiro favoritismo sobre os demais, com certeza era dele. E a festa dos romenos foi dupla: na véspera, eles já tinham levado o prêmio de melhor filme da mostra paralela ''Um Certain Regard'', com ''Califórnia Dreamin'', de Cristian Nemescu, que morreu antes de ver o filme estrear.
O japonês ''Mogari no Mori'' (a tradução mais próxima seria ''A Floresta das Lamentações'') da cineasta Naomi Kawase, penúltimo a ser exibido na mostra competitiva, ficou com o Grande Prêmio do Júri. O filme é a sensível narrativa sobre um velho e uma jovem que, cercados por densa floresta e protegidos pela natureza, exorcizam as respectivas dores pela perda de entes queridos.
O Prêmio Especial do Júri foi dividido entre o francês ''Persepolis'' e o mexicano ''Luz Silenciosa'', de Carlos Reygadas. O prêmio de melhor direção foi para Julian Schnabel, por ''O Escafandro e a Borboleta''.
Alguns filmes mais cotados, como ''No Country for Old Men'', dos irmãos Coen, ''Zodiac'', de David Fincher, mesmo com méritos para premiação, não foram lembrados e saíram de mãos abanando. O último Kusturica, ''Promise Me This'', merecidamente não levou nada. Apresentado no último dia, é uma lastimável repetição de seus últimos trabalhos.
Os jurados, presididos por Stephen Frears, consideraram melhor roteiro o de ''The Edge of Heaven'', escrito e dirigido por Fatih Aki. Era o segundo filme em ordem de preferência, entre os mais cotados. Poderia ter ganho a Palma, e não seria nenhum despropósito.
O prêmio de interpretação feminina, aliás justíssimo, foi para a sul-coreana Jeon Do-yeon, pelo filme ''Secret Sunshine''. Quem entregou o troféu foi o veterano Alain Delon, de pazes feitas com o Festival de Cannes. Para melhor ator, o prêmio foi para o russo Konstantin Lavronenko, pela interpretação em ''The Banishment'', de Andrei Zviaguintzev.
No júri, além do presidente Stephen Frears, estavam ainda os diretores Marco Bellochio e Abderrahmane Sissako, as atrizes Sarah Polley, Toni Collette, Maggie Cheung e Maria de Medeiros, o ator Michel Piccoli e o escritor Oranh Pamuk.

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