Dossiê comprova participação dos EUA em golpe no Chile
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Associated Press De Washington 
O governo do presidente Bill Clinton anunciou ontem que haverá um adiamento na entrega da terceira lista de documentos secretos do governo dos EUA sobre as atividades em torno do golpe militar no Chile em 1973.
Ao anunciar a medida, o porta-voz da Casa Branca, Joseph Lockhart, não disse por quanto tempo a divulgação será adiada. Lockhart disse que a divulgação do lote final dos documentos depurados sobre violações dos direitos humanos e outros atos de terrorismo político estava programada para hoje. Este será o terceiro lote, porque já entregamos dois.
O porta-voz governamental deixou claro, porém, que o assessor de Assuntos de Segurança Nacional (Sandy Berger) decidiu adiar a entrega do terceiro lote para poder completar uma análise adicional dos documentos sobre as operações encobertas dos EUA no Chile.
A Agência Central de Inteligência (CIA) tinha estabelecido a data de hoje para a entrega dos documentos nos quais se busca provas adicionais para incriminar o ex-ditador chileno, general Augusto Pinochet.
Pinochet derrubou o presidente Salvador Allende em 11 de setembro de 1973, após um processo de desestabilização que, segundo historiadores, foi incentivado pela CIA.
As famílias das vítimas da repressão durante a ditadura de Pinochet pressionaram a secretária de Estado Madeleine Albright, durante sua visita a Santiago no mês passado, para que os documentos fossem divulgados a fim de reforçar a acusação no processo contra o general.
No dia 11, chilenos fizeram protestos contra o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. A viúva de Allende, Hortencia Bussi, afirmou que esperava que Augusto Pinochet manifestasse arrependimento. Mas porta-vozes do ex-ditador afirmaram que ele nunca pedirá perdão.


