São Paulo - Pier Luigi Foschi, presidente da Costa Cruzeiros, dona do navio Costa Concordia que naufragou na Itália durante o fim de semana deixando ao menos seis mortos, afirmou ontem que não há sinais evidentes de vazamento na região do acidente. No local, o resgate foi retomado após ter sido interrompido pelo mau tempo e inclinação da embarcação.
Foschi disse que há uma ''grande quantidade'' de diesel ainda nos tanques do navio, mas que não saiu da embarcação. Estima-se que os tanques ainda tenham 2,4 mil toneladas de óleo, o que causaria um desastre ambiental de grandes proporções. Isso afetaria diretamente o ecossistema do Mar Tirreno, no Mediterrâneo, e o turismo da costa do Estado da Toscana.
''Retomamos as operações de busca depois de verificar que o navio está estável'', disse Luca Cari, porta-voz dos bombeiros, após destacar que o vento e a chuva cessaram, acalmando o mar em torno da embarcação. O presidente da companhia ainda reiterou que pretende oferecer indenização ''de acordo as leis italianas'' e recolocação dos passageiros reservados em outras embarcações da companhia. Ele voltou a afirmar que o acidente aconteceu por falha humana.
Mais cedo, Foschi afirmou que o Costa Concordia passou por testes de segurança em 2011 e que uma vez que o resgate e o atendimento dos passageiros esteja concluída, a Costa Crociere deve ter como prioridade avaliar os riscos ambientais do acidente.
O presidente da companhia disse ainda que o comandante da embarcação, Francesco Schettino, terá auxílio jurídico, mas que não pode descartar os evidências de erro humano durante o acidente e que ''uma alteração de rota não autorizada'' foi executada pouco antes de o navio atingir uma rocha.
Pelo menos 15 passageiros continuam desaparecidos. O navio tinha 4.229 pessoas a bordo. Entre os passageiros, a operadora informou ao Itamaraty que há 53 brasileiros, mas esse número pode ser maior.

Sobreviventes
Dezessete dos 53 brasileiros que participaram do cruzeiro no navio Costa Concordia desembarcaram no aeroporto do Recife às 23h48 de domingo (horário local). Eles teriam sido orientados a não dar declarações à imprensa. Uma estudante do Recife que também viajava no voo da companhia TAP Portugal disse ter conversado com uma das mulheres do grupo. ''Ela chorava quando lembrava do navio. Contou que a empresa do cruzeiro não deu assistência nenhuma. Apenas entregou 50 euros a cada um'', comentou Aline Souza. A passageira teria relatado à estudante que ela e os demais 16 brasileiros são da mesma família e vivem no Ceará. Eles perderam toda a bagagem e documentos. Usavam apenas roupas cedidas pela embaixada brasileira na Itália. Chamaram a atenção dos demais passageiros do avião porque exibiam arranhões pelo corpo.

mockup