Donativos para vítimas atrai fraudadores
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sábado, 15 de janeiro de 2005
Giles Hewitt<br>France Presse 
Nova York- O esforço econômico sem precedentes realizado para levar assistência às vítimas do maremoto que destruiu o litoral de países do Oceano Índico atraiu trapaceiros de todo o mundo, que tratam de lucrar com a tragédia alheia.
A devastação das zonas afetadas ''está atraindo muitos fraudadores'', disse Annie McGuire, diretora do web site Fraud-aid.com, denunciando estes tipo de caso. ''Simplesmente não posso enumerar todas as trapaças que acontecerão nos próximos meses'', acrescentou.
A maioria das fraudes ocorrem na Internet, por meio de ''web sites'' de organizações de assistência inexistentes e ''mensagens eletrônicas'' nas quais supostas vítimas pedem donativos.
O momento posterior a desastres naturais tem sido sempre uma oportunidade para pessoas sem escrúpulos. A magnitude do que aconteceu no dia 26 de dezembro -e o esforço de assistência que se desencadeou- levou autoridades de todo o mundo a lançar advertências públicas.
O FBI (Departamento Federal de Investigações dos Estados Unidos) apontou para a variedade de fraudes detectadas, dentre as quais destacava a possibilidade de localizar, por uma pequena quantia em dinheiro, entes queridos que desapareceram durante o maremoto.
''Todas estas são fraudes que já havíamos visto antes. Não há nada de novo'', disse o porta-voz do FBI Paul Bresson, recordando a ocorrência de casos similares após os atentados de 11 de setembro de 2001.
''Trata-se simplesmente de uma outra escala'', disse Bresson. ''Não é errado afirmar que circulam milhões de mensagens eletrônicas que buscam algum tipo de doação ou contribuição''.
De acordo com Bresson, a maioria das tentativas de fraude têm como objetivo países ricos e de língua inglesa como Austrália, Grã-Bretanha, Canadá e Estados Unidos.
Alguns empregam uma técnica conhecida entre os ''hackers'' como ''phishing'' (''pescar''), que consiste em fazer com que as pessoas revelem informações sobre suas contas bancárias em páginas da Internet falsas.
A empresa de cartões de crédito Mastercard International informou na segunda-feira que havia contratado uma firma especializada na detecção deste tipo de fraude para proteger seus clientes.
''Infelizmente, temos identificado diversas páginas da Internet (conhecidas como) phishing que se aproveitam da compaixão das pessoas e estamos trabajando junto as autoridades federais para fechá-las'', disse o vice-presidente de serviços de segurança e risco da Mastercard, Sergio Pinon.
Algumas fraudes são decididamente rudimentares e na Europa trapaceiros foram surpreendidos armados com as clássicas caixinhas de dinheiro coletando doações de porta em porta, às vezes em nome de associações existentes e outras não.
A organização não governamental Oxfam alertou recentemente de que circulavam em Hong Kong mensagens em seu nome pedindo ajuda financeira.
''Era um 'e-mail' muito mal feito, e não creio que muita gente tivesse sido enganada'', disse a porta-voz da Oxfam em Hong Kong, Christy Ko.


