Porto Príncipe - Duas pessoas, entre elas um policial, morreram baleadas ontem na localidade de Gros-Morne, durante as eleições presidenciais e legislativas no Haiti, marcadas pela desorganização e por um clima de tensão, informou a rádio privada Visión 2000.
Um capacete azul chileno da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) foi apunhalado no norte do país, informou uma fonte das Nações Unidas que pediu para não ser identificada.
Além dos dois mortos em Gros-Morne, quatro pessoas foram baleadas durante um confronto entre policiais haitianos e eleitores que aguardavam impacientes para votar, informou um correspondente da rádio Visión 2000.
A demora na abertura de alguns locais de votação provocou tumulto, devido ao grande número de pessoas reunidas, com um saldo preliminar de dois mortos, um por asfixia e outro por ataque cardíaco. Várias pessoas ficaram feridas ou desmaiaram ao serem arrastadas pela multidão que se reunia nos centros de votação.
Muitos eleitores levantaram bem antes do amanhecer e caminharam várias horas até os locais de votação, a fim de participar das primeiras eleições desde que, em 2002, o ex-presidente Jean Bertrand Aristide abandonou o país, arrasado pela violência.
A tensão continua alta num país acossado por bandos armados, dominado pela pobreza e com um histórico de eleições fraudulentas e golpes de estado militares. ''Em Porto Príncipe morreram duas pessoas, uma de ataque cardíaco e a outra por asfixia'', declarou um funcionário da ONU que pediu anonimato, ao mesmo tempo em que atribuiu estas mortes à inexperiência dos haitianos e a seu frenesi em votar.
Em outro centro de votação da capital, uma mulher sofreu queimaduras quando foi empurrada pela multidão para cima do cano de escapamento da moto de um policial. A ira foi paulatinamente tomando conta das pessoas que se apresentaram cedo para votar diante da confusão e da desorganização. A tensão aumentou especialmente nos arredores do violento bairro de Cité Soleil, onde os eleitores reclamavam irados: ''Abram! Abram!''.
Uma força policial e militar da ONU de 9.500 homens, que luta para restaurar a ordem desde a partida de Aristide, foi mobilizada através do país caribenho para proteger os centros de votação. Nos bairros mais pobres da capital, a maioria apóia o ex-presidente René Préval, de 63 anos, que foi um aliado de Aristide e é favorito para vencer o pleito, segundo pesquisas de opinião.
Préval recebe pouco apoio dos haitianos de maior poder aquisitivo, que preferem o industrial Carlos Henry Baker, de 50 anos, ou o ex-presidente Leslie Manigat, de 75. As pesquisas apontam Préval com uma vantagem de pelo menos 27% sobre Baker e Manigat. Se nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, os dois primeiros disputarão um segundo turno.

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