O Exército de Israel matou quinta-feira dois palestinos chefes militares do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), apesar do risco de que esta ação desencadeie atentados suicidas de represália, informaram ontem fontes militares israelenses. As autoridades israelenses decretaram o fechamento total dos territórios palestinos, e o Hamas ameaçou com represálias, como fez no passado quando Israel matou chefes militares do movimento.
Um comando israelense matou, na quinta-feira dois palestinos, Adel Awadalah, chefe militar do Hamas na Cisjordânia, considerado por Israel ‘‘inimigo número um’’, e seu irmão Imad, que escapou em 15 de agosto de uma prisão de Jericó, informou a rádio do exército.
Os serviços israelenses seguiam a pista destes ativistas há meses e prepararam uma emboscada para eles numa localidade de Taybeh, perto de Hebron, numa região que continua sob controle militar de Israel.
O ex-chefe adjunto do Shin Beth (serviço de segurança interna israelense), o deputado de direita Guidon Ezra, elogiou pela rádio ‘‘a eliminação dos perigosos terroristas, antes de que cometessem outros atentados’’.
Em Gaza, um porta-voz do braço político do Hamas, Mahmud Al Zahar, acusou Israel de ‘‘ter realizado uma ação terrorista’’, destacando que o movimento ‘‘saberá responder com força para vingar seus heróis’’.
A direção do Hamas convocou uma reunião urgente no domícilio de seu chefe espiritual e fundador, xeque Ahmed Yasin, para preparar represálias contra os israelenses.
Em 1996, o Hamas vingou o assassinato de seu principal artífice, Yehya Ayash, com vários atentados suicidas que deixaram cerca de 50 mortos em Israel.
As autoridades israelenses levaram a sério a ameaça e decretaram o bloqueio dos territórios palestinos pela primeira vez em um ano, uma medida que impede que 60.000 palestinos possam trabalhar em Israel ou Jerusalém.
O exército israelense, através de seu porta-voz, afirmou que, ‘‘aparentemente, os dois terroristas estavam preparando um atentado’’, pois teriam sido ouvidos vários tiros na área. A versão foi, porém, contestada por diversos habitantes da localidade onde os dois palestinos foram mortos.

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