Documento implica os EUA na morte de Charles Hormann
Associated Press
Os serviços de inteligência dos Estados Unidos podem ter desempenhado um infeliz papel na morte de um jornalista americano pelas forças de segurança chilenas nos primeiros dias do golpe de 1973 no Chile, segundo um documento do Departamento de Estado divulgado ontem.
O documento faz parte da liberação de 1.100 arquivos do governo dos EUA relacionados ao golpe. A CIA tem sido acusada de segurar documentos sobre seu envolvimento.
O documento relata o assassinato do jornalista free lance Charles Hormann. Ele foi detido em sua casa uma semana depois do golpe de 11 de setembro de 1973 e levado para um estádio onde supostos esquerdistas foram amontoados e executados.
O documento afirma que no melhor dos casos, o papel da comunidade de inteligência dos EUA na morte de Hormann foi limitado a oferecer ou confirmar informações que ajudaram a motivar seu assassinato pelo governo do Chile.
No pior, a inteligência dos EUA estava consciente de que o governo do Chile via Hormann numa luz muito séria e autoridades dos EUA não fizeram nada para desencorajar o lógico resultado da paranóia do governo do Chile.
Hormann foi assunto de um filme de 1982, Missing, que sugeria a complicidade americana em sua morte.
A viúva do jornalista, Joyce Hormann, da cidade de Nova York, recebeu o documento de duas páginas ontem. Ele foi escrito em 25 de agosto de 1976, pelo chefe do Escritório de Assuntos Chilenos do Departamento de Estado.
Esse caso continua incômodo, afirma o documento. As conotações para o (braço) executivo não são boas. No Congresso, comunidade acadêmica, imprensa e a família Hormann, as insinuações são de negligência de nossa parte, ou pior, de cumplicidade na morte de Hormann.





