DNA inocenta condenados há 30 anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de setembro de 2014
Folhapress 
São Paulo - Dois americanos que passaram os últimos 30 anos na prisão foram inocentados graças a um recente teste de DNA. Henry McCollum, de 50 anos, deixou na manhã desta quarta a prisão central de Raleigh, na Carolina do Norte, após a Justiça americana reverter sua sentença de pena de morte. Seu meio-irmão, Leon Brown, de 46, condenado pelo mesmo crime, também foi solto nesta quarta de uma penitenciária no mesmo Estado, onde cumpria prisão perpétua. McCollum falou com a imprensa na saída da prisão, pouco antes de entrar no carro de seu pai, onde um repórter teve de ensiná-lo a afivelar o cinto de segurança, que ele nunca havia usado.
"Eu apenas agradeço a Deus por ter me tirado desse lugar. Agora eu quero comer, quero dormir, e quero acordar amanhã e ver que isso é real", disse. Após 30 anos confinado, McCollum nunca usou um celular, e nunca havia acessado a internet até a semana passada.
Os dois foram condenados em 1983 pelo estupro e assassinato de uma menina de 11 anos em Red Springs, cidade com menos de 4 mil habitantes na Carolina do Norte. Advogados de defesa criticaram a condenação, segundo eles baseada em confissões por coerção de dois adolescentes assustados e com problemas cognitivos, visto que ambos registraram QI abaixo de 51 em testes. McCollum tinha 19 anos na época, e Brown, 15. Um recente teste de DNA realizado por uma agência do governo estadual em uma ponta de cigarro encontrada ao lado do corpo de Sabrina Buie revelou o DNA de Roscoe Artis, que morava a uma quadra do local do crime. Artis confessou, semanas após o assassinato de Sabrina, em setembro de 1983, ter violentado e matado uma garota de 18 anos em Red Springs. Ele foi sentenciado à morte, mas depois teve a pena reduzida para prisão perpétua, que cumpre até hoje.
A Justiça estadual nunca explicou por que manteve o foco nos dois meio-irmãos, mesmo com o histórico de crimes sexuais de Artis e as semelhanças entre o relato de Artis e a morte de Sabrina. Nenhuma evidência física ligava os dois ao crime, apenas a suspeita de um adolescente, que via McCollum e Brown, ambos negros, como "desajustados" na comunidade local.


