Divisão da Palestina completa 53 anos
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quarta-feira, 29 de novembro de 2000
France Presse De Paris 
Trinta e três sim, 13 não e 10 abstenções tornaram realidade um sonho sionista de milhões de judeus: ao ultrapassar a margem exigida de dois terços dos votos na Assembléia-Geral da ONU, o Estado judeu proclama seu nascimento, em 29 de novembro de 1947. Esta votação histórica, realizada sob a cúpula da velha pista de patinação de Flushing Meadows, em Nova York, decidiu a divisão da Palestina em um Estado Judeu e um Estado Palestino, provocando reações diametralmente opostas em todo o mundo.
Em Tel Aviv, a comunidade judaica da Palestina segura a respiração no momento da votação. Finalmente, a multidão entusiasta explode em aplausos. Entre os palestinos, prevalece um sentimento de injustiça, raiva e amargura. Segundo a resolução 181 da Assembléia-Geral, os judeus conquistam três regiões: uma faixa que vai do extremo-norte da Galiléia até o lago Tiberíades, o litoral central (de Tel Aviv até Haifa) e o deserto de Negev. No total, 50% da superfície da Palestina.
Por sua vez, os palestinos conservam, no final do mandato britânico, no dia 14 de maio de 1948, três regiões: uma na Galiléia ocidental ao redor de São João do Acre, a segunda na Faixa de Gaza com uma parte da fronteira com o Sinai, e a terceira na Cisjordânia, com exceção de Jerusalém, que é prevista para ficar sob administração internacional.
A comunidade internacional estava profundamente dividida. A Grã-Bretanha, que mudou permanentemente seus apoios, nessa época defendia os árabes, e preferiu abster-se, assim como a China e a Argentina. A França, que se manteve sem se pronunciar durante longo tempo, finalmente votou pela divisão. Pressões americanas fizeram com que Libéria, Haiti e Filipinas votassem pelo sim.
Os países árabes foram, naturalmente, solidários com os palestinos e fortemente hostis a uma decisão que consideravam ilegítima. Do Líbano à Síria, passando pelo Egito, os países árabes apoiavam a idéia de um Estado Palestino único, democrático e independente. Mas dois países poderosos fizeram frente comum em favor da divisão da Palestina: Estados Unidos e União Soviética.
Os americanos levaram em conta principalmente a crescente influência do judaísmo em seu país. Quanto aos soviéticos, pretendiam desse modo expulsar os britânicos da Palestina. Esta aliança, inesperada nesse período de início da Guerra Fria, permitiu que se alcançasse a maioria de dois terços necessária para adotar a resolução.
Sozinho, em retiro na costa do Mar Negro, o presidente da Agência Judaica, David Ben Gurion, parecia afastado da agitação. Aceitou a resolução que, no entanto, não correspondia às suas aspirações territoriais, principalmente no que se referia a Jerusalém. Em seu diário, escreveu: Não tenho a menor dúvida: estamos às vésperas de uma guerra de vida ou morte, não com as forças britânicas, mas com os povos árabes. E perderemos a flor de nossa juventude!
Presságio funesto. No dia seguinte, caem as sete primeiras vítimas judias, os passageiros de um ônibus, assassinados numa emboscada. Mais de 50 anos depois, a violência continua e os palestinos ainda esperam a criação de um verdadeiro Estado Palestino.


