SANTA CRUZ, Bolívia - A Reunião de Cúpula das Américas sobre Desenvolvimento Sustentado, que será realizada hoje e amanhã, em Santa Cruz, vai girar em torno de temas de consenso relativos ao meio ambiente e ao desenvolvimento humano, apesar de até o último minuto prevalecerem as divergências em relação ao plano de ação hemisférica.
Essas divergências, expostas principalmente pelos Estados Unidos, reavivam uma antiga polêmica sobre a efetividade das principais tarefas desenvolvidas por eventos deste tipo, com soluções que, na realidade, resultam muitas vezes inaplicáveis devido à falta de orçamento para sua concretização, segundo comentaram ontem membros da delegação boliviana.
O próprio chanceler boliviano, Antonio Aranibar, expressou sua esperança de que o programa de ação desta reunião possa passar do ‘‘meramente declarativo ao verdadeiramente prático, com iniciativas concretas’’ e destacou que a preocupação das 34 nações do hemisfério ‘‘deverá estar centrada nas tarefas de acompanhamento e na coordenação das ações a serem desenvolvidas’’.
A Reunião de Cúpula das América, a primeira convocada por iniciativa da Bolívia, tropeçou nos últimos detalhes de sua organização em enormes dificuldades para obter o consenso na elaboração da agenda. A percepção das nações industrializadas de conceber o desenvolvimento sustentado como um mero assunto ambientalista contrasta, desde a Eco-92, a reunião realizada no Rio de Janeiro, e a Cúpula das Américas, realizada em Miami, em 1994, com o argumento terceiro-mundista de privilegiar principalmente o ser humano.
Depois de intensas negociações diplomáticas, foi obtido um consenso em novembro, em Washington, com o patrocínio da Organização de Estados Americanos (OEA), quando foram compatibilizados ambos os enfoques, recordou o vice-chanceler boliviano Jaime Aparicio, que, em seus contatos com a imprensa, mostrou-se otimista.
Apesar do otimismo da delegação boliviana, nota-se a preocupação em meios locais sobre a escassa concorrência de mandatários à reunião, na qual estarão presentes apenas doze presidentes, cinco vice-presidentes, entre eles Al Gore, dos EUA, e dois primeiros-ministros das Américas.
A ausência mais notória é, sem dúvida, a do presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, o que, no entanto, não afetará as conclusões finais da reunião, segundo o representante da Bolívia na OEA.

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