São Paulo - As Forças Armadas do Sudão destituíram nesta quinta (11) o ditador Omar al-Bashir, que estava no poder havia três décadas, anunciou o ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf. "Anuncio, como ministro da Defesa, a queda do regime e a prisão de seu chefe em um lugar seguro", disse ele em um canal público de televisão. Segundo a agência Reuters, o ditador foi mantido na residência presidencial, sob forte esquema de segurança.

Bashir, 75, que enfrentava manifestações ininterruptas nos últimos quatro meses, liderava o país com mão de ferro desde que chegou ao poder com um golpe em 1989. "Nós o substituímos [o presidente] por um conselho militar de transição por dois anos e suspendemos a Constituição do Sudão de 2005", prosseguiu o ministro. Ibn Auf decretou também estado de emergência pelos próximos três meses e ordenou o fechamento das fronteiras e do espaço aéreo do país.

Dezenas de milhares de pessoas comemoraram, dançando e cantando slogans anti-Bashir nas ruas da capital Cartum. Alguns líderes de protestos rejeitaram as medidas anunciadas pelos militares, argumentando que a atitude foi um "golpe de estado liderado pelo regime". "O regime organizou um golpe militar apresentando as mesmas caras contra as quais o nosso povo se rebelou", disse a Aliança pela Liberdade e Mudança em um comunicado que pedia que as manifestações continuassem em frente à sede das Forças Armadas em Cartum.

País africano de língua árabe localizado ao sul do Egito, o Sudão vivia desde 19 de dezembro uma onda de protestos pela queda do ditador, que chegou ao poder comandando um golpe militar que derrubou o premiê eleito democraticamente Sadiq al-Mahd.

Um dos motivos que deram início aos protestos foi a crise econômica - a inflação no país subiu para 70% nos últimos anos. O Sudão perdeu importantes receitas com petróleo após a independência do Sudão do Sul, conquistada em plebiscito em 2011. O estopim das manifestações foi o aumento do preço do pão, cujos subsídios haviam sido cortados pelo governo.

Em 1996, o país teve eleições presidenciais e parlamentares contestadas. Havia 40 candidatos concorrendo para tirar al-Bashir do poder, mas grupos de oposição consideravam as eleições injustas. Devido à guerra civil no sul do país, não houve votação em 11 regiões.

mockup