Dois dissidentes cubanos residentes na ilha rejeitaram ontem categoricamente a autoria dos recentes atentados com bombas em Havana, que deixaram um saldo pelo menos três feridos.
Em nome da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Gerardo Sánchez Santa Cruz, qualificou de ‘‘cega, cruel e irresponsável’’ a violência com bombas contra hotéis e restaurantes.
‘‘Condenamos energicamente estes atos criminosos que põem em perigo pessoas inocentes e criam inquietação na população’’, disse o ativista, irmão de Elizardo Sánchez, presidente da Comissão.
Quatro bombas explodiram quinta-feira nos hotéis Tritón, Chateau e Copacabana, em Havana, assim como no famoso bar e restaurante La Bodeguita del Medio.
Com estas somam sete as explosões conhecidas desde 12 de julho último.
O jornalista independente Raúl Rivero disse por sua vez que essas explosões ‘‘pioram muito o clima político e constituem uma chave que fecha ainda mais as possibilidades do diálogo, do entendimento político’’.
Acrescentou que é uma maneira ‘‘desastrosa’’ de se opor ao governo cubano e a repudiou por ‘‘incoerente, extemporânea’’ e por trazer apenas prejuízo ‘‘para o país, para todo o mundo’’.
Essa situação deixa a ilegal imprensa independente em um ‘‘clima de mais rigor’’ e dá maior liberdade às autoridades ‘‘para agir contra nós e que de fato anda fazendo com bastante violência últimamente’’, disse.
Rivero opinou que ‘‘como método (as bombas) me parece pouco eficaz e infeliz para a situação atual de Cuba’’.
Uma nota do Ministério do Interior publicada ontem no oficial jornal Granma advertiu que se ‘‘tomam as medidas necessárias contra estes covardes e repugnantes fatos’’.

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