Dissidentes criticam atentados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 1997
France Presse Havana 
Dois dissidentes cubanos residentes na ilha rejeitaram ontem categoricamente a autoria dos recentes atentados com bombas em Havana, que deixaram um saldo pelo menos três feridos.
Em nome da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Gerardo Sánchez Santa Cruz, qualificou de cega, cruel e irresponsável a violência com bombas contra hotéis e restaurantes.
Condenamos energicamente estes atos criminosos que põem em perigo pessoas inocentes e criam inquietação na população, disse o ativista, irmão de Elizardo Sánchez, presidente da Comissão.
Quatro bombas explodiram quinta-feira nos hotéis Tritón, Chateau e Copacabana, em Havana, assim como no famoso bar e restaurante La Bodeguita del Medio.
Com estas somam sete as explosões conhecidas desde 12 de julho último.
O jornalista independente Raúl Rivero disse por sua vez que essas explosões pioram muito o clima político e constituem uma chave que fecha ainda mais as possibilidades do diálogo, do entendimento político.
Acrescentou que é uma maneira desastrosa de se opor ao governo cubano e a repudiou por incoerente, extemporânea e por trazer apenas prejuízo para o país, para todo o mundo.
Essa situação deixa a ilegal imprensa independente em um clima de mais rigor e dá maior liberdade às autoridades para agir contra nós e que de fato anda fazendo com bastante violência últimamente, disse.
Rivero opinou que como método (as bombas) me parece pouco eficaz e infeliz para a situação atual de Cuba.
Uma nota do Ministério do Interior publicada ontem no oficial jornal Granma advertiu que se tomam as medidas necessárias contra estes covardes e repugnantes fatos.


