Dissidente otimista com a China
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 1997
France Presse Nova York 
France PresseJingsheng: Depois da maré baixa sempre vem a maré altaO dissidente chinês Wei Jingsheng, libertado há pouco tempo pelas autoridades de Pequim, assegurou ontem em Nova York na primeira entrevista concedida à imprensa, desde sua chegada aos Estados Unidos, que o futuro do movimento de democratização na China é excelente.
As perspectivas para o futuro são muito boas, declarou Wei, de 47 anos, na biblioteca municipal de Nova York, onde intelectuais norte-americanos e dissidentes chineses no exílio organizaram em maio de 1996 uma leitura de suas cartas, a partir da prisão.
Não devem dar importância à maré baixa atual, sempre vem uma maré alta depois de uma baixa, disse a 250 jornalistas. Os elogios das pessoas me perturbam e me causam vergonha, uma vez que não fiz o bastante pela democracia na China, disse Wei.
A entrevista à imprensa, programada pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos Anistia Internacional e Human Right Watch, foi interrompida às 11h20 quando Wei Jingsheng, que sofre do coração, começou a sentir dor de cabeça e a se queixar de fraqueza.
O dissidente, que ficou na prisão durante 18 anos, afirmou várias vezes seu amor ao país e a esperança de poder voltar. A China será sempre minha pátria, esteja eu lá ou não. Amar a China não é o mesmo que amar o Partido Comunista chinês, disse Wei Jingsheng, que esteve acompanhado por sua irmã Wei Shanshan, autorizada a deixar a China junto com ele.
Devo voltar, com certeza, acrescentou. Nunca tive a intenção de partir, explicou, destacando que as autoridades chinesas aceitaram libertá-lo apenas por motivos de saúde, desde que deixasse o país. Se voltar à China deverá cumprir o restante da condenação, advertiu Pequim. Voltarei quaisquer que sejam as circunstâncias, ou quase todas, uma vez que ninguém deseja voltar à prisão, disse.
Esperei décadas para ter oportunidade de exercer meu direito de liberdade da palavra, mas o povo chinês espera isto há séculos, também afirmou Wei. Wei Jingsheng mostrou-se reticente sobre seus projetos fora da China, inclusive sobre o local que escolherá para exílio.


