São Paulo - O dissidente cubano Guillermo Fariñas recebeu ontem o Prêmio Sakharov para a liberdade de consciência, concedido pelo Parlamento Europeu há três anos. Ele foi impedido pelo regime comunista de ir à França para receber o prêmio.
Em cerimônia na sede do Legislativo europeu, em Estrasburgo, Fariñas dedicou o prêmio à sua mãe e disse que era sua obrigação voltar a Cuba, mesmo tendo medo da repressão do governo do ditador Raúl Castro.
"Mas esse medo não vai me parar porque tenho mais medo de enganar o povo cubano que o regime. Cuba será livre, não pela vontade de seus líderes, mas porque seus cidadãos querem."
O dissidente cubano protagonizou 23 greves de fome em protesto contra a repressão das autoridades cubanas contra os opositores ao regime dos irmãos Raúl e Fidel Castro.
Ele pôde receber o prêmio graças à reforma migratória em Cuba, que suprimiu no início do ano as restrições que durante meio século impediam os cubanos de viajar para fora da ilha.
Fariñas é o terceiro dissidente cubano a receber a premiação da União Europeia, depois das Damas de Branco, em 2005, e Oswaldo Payá, em 2002.

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