Disputa pela Casa Branca ainda é incógnita
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sábado, 21 de agosto de 2004
Leandro DonattiEquipe da Folha 
Washington - A disputa pela Casa Branca está tecnicamente empatada, na avaliação da maioria dos analistas políticos dos Estados Unidos. O senador democrata John Kerry tem chances reais de ser eleito presidente nas eleições de 2 de novembro. Não porque Kerry seja brilhante ou tenha a simpatia dos eleitores, mas porque a bandeira do atual presidente republicano e candidato a reeleição, George W. Bush, contra o terrorismo, e a forma de conduzir a política econômica do país o fazem perder votos.
''Enquanto Bush concentra seu discurso de campanha contra o terrorismo, Kerry tem seus eleitores interessados nas propostas para a geração de empregos, saúde, política internacional'' é o que aponta sondagem recente realizada pela Zogby International, instituto de pesquisa que atua nos EUA desde 1984. A pesquisa mostra que a 31% dos eleitores americanos interessam emprego e economia; a 19% guerra ao terrorismo e segurança; a 14% guerra no Iraque; a 8% saúde; e a 7% política internacional.
A pesquisa mostra que a disputa está acirrada, sobretudo nos 16 Estados aonde ainda é prematuro dizer se são republicanos ou democratas. A pesquisa da Zogby é atualizada de duas em duas semanas, desde maio, e mostra um empate técnico entre Bush e Kerry na casa dos 45%. A diretora de Marketing e Comunicação Internacional da Zogby, Hala Kotb, diz que na disputa deste ano o número de eleitores indecisos já é menor que o da sucessão presidencial em 2000. Pelo levantamento 6% do eleitorado disposto a votar em novembro ainda não se decidiram. ''Se a eleição fosse hoje, o presidente seria John Kerry. Ele está no entanto com dificuldades de se defender dos ataques (dos republicanos).'' Kotb lembra que Bush deve apresentar nos próximos dias um incremento em seus números por conta da convenção que o confirmará no final do mês como o candidato republicano à presidência. ''Depois da convenção democrata (ocorrida no fim de julho) Kerry aumentou seus percentuais em 3% em média'', calcula Kotb. Ela lembra que nas eleições de 2000 a geração de empregos e economia dominaram a pauta dos candidatos. ''A preocupação com seguranca nacional era mínima.'' O quadro hoje é diferente.
Kotb acredita que mais eleitores americanos comparecerão para votar devido ao sentimento americano, aprofundado com o ataque terrorista a Nova York em setembro de 2001 e a Guerra no Iraque. A diretora da Zogby afirma que a política de Bush terceirizando empregos em Estados como Ohio, em favor de indianos e chineses, está em pauta nesta eleição, o que deixa o quadro ainda mais nebuloso. Preocupados com o avanço democrata, a campanha de Bush usou anúncios na televisão tentando convencer o eleitorado de que a situação dos empregos não é tão ruim assim.
Para David Mark, editor-chefe da Revista Campanhas e Eleições, especializada em estratégias políticas, Kerry está sendo ''muito eficaz na divulgação de suas mensagens''. ''Está vendendo a idéia que seria mais eficiente no combate ao terrorismo, mas erra ao criticar Bush, tendo votado a favor da Guerra do Iraque.''
De acordo com o professor de mídia e assuntos públicos da Universidade de Goerge Washington, Mark Feldstein, a menos que Kerry cometa um deslize, a ''eleição deste ano sera plebiscitária, para avaliar o governo Bush e suas ações nos últimos quatro anos''. ''O detentor do cargo tem vantagens, sobretudo num momento de guerra. O adversário tem mais dificuldades.''
As campanhas nos Estados Unidos estão marcadas pela troca de acusações através de anúncios pagos em redes de televisão. David Mark alerta para os riscos deste tipo de campanha, afirmando que os eleitores americanos não gostam de baixaria. Steven C. Weiss, diretor e editor do Capital Eye, entidade sem fins lucrativos com orçamento anual de US$ 1 milhão, que levanta os gastos de campanha dos candidatos e fontes de doações diz: ''Os candidatos nos EUA não gostam de falar sobre fundos, mas sabem que quem juntar mais dinheiro, vai ganhar.'' De acordo com o rastreamento feito pela entidade, para informar aos eleitores sobre os financiamentos de campanha, Bush tem o apoio de empresas representadas na Bolsa de Valores e Kerry tem muito dinheiro dos escritórios de advocacia, entre outros. ''Os financiamentos de campanha ajudam os investidores a terem influência.''O jornalista Leandro Donatti está nos Estados Unidos a convite do Departamento de Estado, participando de um intercâmbio sobre a relação da mídia americana e as eleições presidenciais.


