Disparos aumentam a tensão em Lima
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Reuter, 
de Lima
France PresseMisticismoUm religioso indígena, realiza ritual nas proximidades do prédio da Embaixada do Japão em Lima, pedindo que o incidente possa terminar sem que nenhum dos reféns presos ali seja ferido. Muitas manifestações religiosas têm sido realizadas nos últimos dias, enquanto persiste a falta de atitudes do Governo peruano face à crise
Dois ou três disparos, inicialmente confundidos com uma explosão, romperam ontem a madrugada nas imediações da residência do embaixador japonês em Lima, aumentando o temor e a incerteza que marcam, nas últimas horas, a crise dos 74 reféns mantidos por um comando do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) no interior da casa desde o dia 17. Pouco antes das 4 horas locais (7 horas de Brasília), câmeras da TV peruana captaram imagens de um dos rebeldes correndo armado pelos jardins da residência. O barulho dos disparos, aparentemente de tiros de fuzil, foi ouvido quase ao mesmo tempo, mas a Cruz Vermelha afirma que não houve feridos.
O presidente peruano, Alberto Fujimori, que descarta toda a possibilidade de libertar os guerrilheiros, se reuniu ontem por mais dez horas com o seu gabinete para alcançar uma solução pacífica para a crise, segundo informações extra-oficiais. Ao sair da reunião, não quis falar com a imprensa, mas ontem à tarde, voltou a reiterar que não cederá às exigências do MRTA.
Manteremos uma posição firme de não ceder às chantagens dos terroristas, afirmou o presidente. Creio que, dentro da situação em que nos encontramos, há princípios que devem ser respeitados. Enquanto Fujimori fazia seu pronunciamento, os rebeldes erguiam cartazes nas janelas da embaixada pedindo espaço no programa de televisão de um jornalista peruano.
Durante a madrugada, a rápida e surpreendente sucessão dos disparos causou confusão entre as pessoas que estavam nas proximidades. Não há certeza sobre se foram dois estampidos, seguidos de um forte eco, ou se os rebeldes deram três tiros. Horas depois do incidente, ainda não se sabia o que realmente ocorrera, mas fontes da Cruz Vermelha informaram que não havia feridos na residência. Jornalistas e policiais, que cercam a residência, especulavam que algum membro do comando do MRTA tivesse disparado acidentalmente seu fuzil.
Em declarações a um jornal suíço, o chefe da Cruz Vermelha no Peru, Michel Minnig, advertiu que a situação na mansão é complexa e qualquer passo em falso pode conduzir a uma tragédia. Segundo Minnig, a crise atingiu um estágio que ele qualificou como uma rotina perigosa. O primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, também estima que o ponto-morto em que se encontram as negociações poderia fazer com que um mínimo incidente desencadeie uma tragédia.
Os contatos entre o governo peruano e os líderes dos sequestradores estão praticamente paralisados desde o dia 24, quando os rebeldes concederam entrevistas a jornalistas autorizados a entrar na casa. O comandante dos guerrilheiros, Néstor Cerpa Cartolini, reiterou, nessas declarações, a exigência de que Lima liberte mais de 400 membros do MRTA presos no país. Ontem, o comando do MRTA afirmou que não haverá mais libertação de reféns, enquanto o governo não encontrar uma solução política para o sequestro.


