Dirigente do Hamas morre em explosão de carro-bomba na Síria
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domingo, 26 de setembro de 2004
France Presse 
Damasco O dirigente do movimento radical palestino Hamas, Ezzeddin Cheikh Khalil, de 40 anos, foi morto ontem, na Síria, em um atentado cuja autoria foi assumida extra-oficialmente por autoridades da Defesa de Israel. O atentado, no qual três pedestres ficaram feridos, foi cometido no final da manhã, em um bairro de Al Zahira (sul de Damasco), perto do campo de refugiados palestino Yarmuk. De acordo com uma testemunha, a explosão aconteceu no momento em que o dirigente ligava o carro.
Khalil fazia parte de um grupo de 400 ativistas islâmicos expulsos para o Líbano, em 1992, pelo governo israelense de Yitzhak Rabin. Autoridades do ministério da Defesa de Israel, interrogados ontem à noite pelo segundo canal privado de televisão israelense, admitiram ''de maneira extra-oficial'' que Israel é responsável pela morte de Khalil, que pertencia à liderança do Hamas. ''Israel se cala e confirma (sua responsabilidade) com seu silêncio'', reforçou a fonte, sem mais detalhes.
A rádio pública israelense também cogitou a possibilidade de que o atentado ''tenha a assinatura do Exército israelense''. Segundo a emissora, Khalil, oriundo de Gaza, era o braço direito de Yehia Ayache, conhecido como ''o engenheiro'', assassinado por Israel há nove anos.
Em Jerusalém, por outro lado, uma autoridade do governo próxima ao premiê Ariel Sharon disse à agência France Presse não ter mais informações sobre o assunto. As autoridades sírias também acusaram Israel de assassinar o dirigente do Hamas em um ato ''terrorista'', informou a agência oficial de notícias Sana. ''As autoridades israelenses cometeram um ato perigoso ao assassinar o cidadão Ezzeddin Cheikh Khalil, que morava na Síria, em um atentado com carro-bomba'', declarou o ministro sírio do Interior.
''Esta operação terrorista constitui um precedente perigoso sobre o qual Israel assume a responsabilidade'', acrescenta a nota, garantindo que Khalil ''não tinha nenhuma atividade no interior do território sírio''.
Em Gaza, Muchir al-Masri, um dos porta-vozes do Hamas, denunciou Israel. ''Acusamos o Mossad (serviço secreto israelense) de estar por trás deste atentado'', frisou.
''Os assassinatos de dirigentes do Hamas não conseguirão parar a resistência, nem enfraquecer nosso movimento, mas apenas levar a represálias dolorosas'', advertiu Al-Masri, acrescentando que ''com esta operação, Israel tenta exportar sua crise interna'' e ''envolver a região ainda mais em um ciclo de violência''.
No Líbano, Mohamed Nazal, membro do gabinete político do Hamas, assegurou que o movimento não adotou qualquer decisão de atacar os interesses israelenses no exterior, desmentindo o que foi anunciado pelas Brigadas Ezzedin al-Qassam, o braço armado do grupo em Gaza.
''Até hoje, a questão de levar o combate para o exterior da Palestina está em estudo, mas não se adotou nenhuma decisão a este respeito'', disse. Ele alertou, porém, que ''após o assassinato, a direção do Hamas está estudando as consequências deste acontecimento, mas não podemos dizer que haja um mudança na política geral de manter o combate no interior da Palestina''.
''Consideramos o Mossad responsável por este passo perigoso que leva o combate para fora da Palestina e atenta contra a soberania e a estabilidade do país (numa referência à Síria)'', reforçou Nazal, comentando ainda que não se pode confirmar a autenticidade do comunicado das Brigadas.
Na nota divulgada ontem pelo Hamas, o grupo garante que ''não há nenhuma mudança em relação à política de lutar e enfrentar a agressão sionista de nosso povo'', mas ressalta o direito de ''responder a este crime covarde no momento e lugar mais adequados para os interesses do povo palestino''.


