São Paulo - O diretor da CIA (agência de inteligência americana), George Tenet, 51 anos, pediu demissão e alegou ''razões pessoais'', afirmou ontem o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A renúncia ocorre após diversas críticas sobre a participação da CIA nas declarações do governo dos EUA de que o regime de Saddam Hussein contava com armas de destruição em massa, a principal justificativa para a guerra no Iraque.
''Ele me disse que pediu demissão por razões pessoais. Eu disse a ele que lamento sua saída. Ele fez um trabalho soberbo'', declarou Bush em uma rápida aparição pública no jardim da Casa Branca, antes de partir para uma viagem à Europa. Tenet permanecerá em seu cargo até julho, quando será substituído interinamente pelo vice-diretor da CIA, John McLaughlin, até que seja nomeado um substituto permanente.
Havia especulações de que Tenet deixaria seu cargo após as eleições presidenciais de novembro. Tenet havia sido nomeado pelo ex-presidente Bill Clinton em maio de 1997 e foi confirmado em seu cargo por Bush. Ele foi um dos poucos ''sobreviventes'' da administração anterior.
Apesar dos rumores sobre a saída de Tenet nos últimos meses, o momento da renúncia causou surpresa. A transferência de poder no Iraque será no dia 30 de junho e Bush iniciou ontem uma viagem à Europa. Em discurso realizado em fevereiro passado na Universidade de Georgetown, em Washington, Tenet defendeu energicamente a CIA, acusada de divulgar informações falsas sobre o armamento iraquiano.
''Analistas da CIA nunca disseram que o Iraque representava uma ameaça iminente'', declarou.

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