Paris- França e ONU comemoravam, ontem, os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em Paris, cujos valores foram postos em risco em nome da luta contra o terrorismo e frequentemente temperados pelo realismo político. Co-fundador da ONG Médicos sem Fronteiras, inspirador do direito de ingerência humanitária, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, deu o tom das celebrações no dia de hoje. ''Há uma contradição permanente entre os direitos do homem e a política externa de um Estado, mesmo na França'', declarou. ''A política deve ser impregnada de direitos humanos, mas isso não resume uma política externa'', acrescentou.
A elaboração da Declaração Universal dos Direitos do Homem se seguiu aos traumáticos anos decorrentes da Segunda Guerra Mundial, do nazismo e do Holocausto. Seu texto foi adotado pelos 58 Estados, então membros da Assembléia-Geral da ONU, criada em 1945, para substituir a Liga das Nações.
''Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos'', proclama o primeiro artigo da Declaração, que enumera, em 30 pontos, direitos humanos, civis, econômicos, sociais e culturais, ''inalienáveis'' e ''indivisíveis''.
''Os pessimistas dizem que as coisas vão mal, que o mundo é horrível. Os outros, como eu, dizem: não, vocês não sabem olhar a História. Nunca houve tanto progresso em 60 anos'', declarou Stéphane Hessel, um jurista de 90 anos, que participou da redação do texto.

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