Associated Press
De Moscou
O bloco governista Unidade foi a grande surpresa do pleito parlamentar de domingo na Rússia, no qual conduziu os grupos de centro-direita a seu melhor desempenho em eleições na era pós-soviética. O Unidade ficou em segundo lugar, com 23,37%, praticamente empatando com o Partido Comunista (PC, 24,22%), que pela primeira vez em dez anos foi desalojado do controle da Câmara Baixa do Parlamento (Duma) – embora continue formando a maior bancada.
A avaliação é que a centro-direita fará mais de 50% das 450 cadeiras na Duma. Metade delas é preenchida por listas de partidos e o restante pelos candidatos mais votados em 225 distritos eleitorais. Dos 26 partidos e coalizões na disputa, apenas 6 obtiveram mais de 5% dos votos, o mínimo necessário para ser representado na Duma.
Quatro deles são de centro-direita: Unidade, Yabloco, União das Forças de Direita e Bloco Jirinovski. Resta ao PC um único aliado: a coalizão Mãe Pátria-Toda a Rússia, liderada pelo ex-primeiro- ministro Yevgeny Primakov e o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov – reeleito ontem.
O resultado consolida a candidatura do primeiro-ministro Vladimir Putin à presidência na eleição de junho de 2000 e abre caminho para um período menos turbulento nas relações entre o presidente Boris Yeltsin e a Duma.
O Unidade foi criado há apenas três meses e é encabeçado pelo ministro das Situações Emergenciais, Serguei Shoigu, que teve o apoio declarado de Putin. A guinada para a direita foi interpretada por analistas políticos como resultante do desejo dos russos de maior estabilidade político-econômica. Apurados quase 90% dos votos, o Mãe Pátria-Toda a Rússia tinha 12,08%, União das Forças de Direita (8,71%), Yabloko (6,89%) e Bloco Jirinovski (6,15%). O mercado financeiro russo acolheu com entusiasmo o resultado, na expectativa de que nos próximos meses sejam deslanchadas reformas liberais, já que pela primeira vez Yeltsin contará com uma Duma pró-Kremlin.
O mercado ficou satisfeito com a surpreendente votação da União das Forças de Direita, formada por reformistas como o ex-primeiro-ministro Sergey Kiriyenko. Mas, como faltam poucos meses para a eleição presidencial – e quase todos os líderes dos partidos vitoriosos são candidatos – há nos meios políticos dúvidas de que os grupos de centro-direita formem uma firme aliança.

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