Diplomatas de 74 países se reúnem para falar da pandemia com SP


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de 74 cônsules participou de uma reunião com o governo paulista nesta quarta-feira (25) para se informar acerca das medidas tomadas pelo maior estado brasileiro e epicentro da pandemia do coronavírus em relação à crise.

O movimento ocorreu no momento em que o governo federal tem sido de alvo de críticas não só no Brasil, mas na imprensa de vários países, porque o presidente Jair Bolsonaro assumiu uma atitude de minimizar a Covid-19 e criticar medidas de isolamento social. A atitude vai na contramão até de líderes próximos do brasileiro, como o premiê Binyamin Netanyahu (Israel).



Ainda que não sejam panaceias, elas são consideradas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) as medidas comprovadamente mais eficazes para tentar restringir a circulação do vírus no momento de expansão da doença.

As embaixadas em Brasília vinham procurando o governo paulista, que tem adotado protocolos internacionais, o que levou a um embate direto entre o governador João Doria (PSDB) e o presidente, exacerbado na reunião virtual que ambos tiveram na manhã desta quarta.

Foi solicitada uma audiência ao secretário Júlio Serson (Relações Internacionais), que trouxe para falar por meio de videoconferência com os diplomatas o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). Doria estava reunido, também virtualmente, com outros 25 chefes de Executivo estadual na mesma hora.

Falaram sobre a situação em seus países os cônsules da China, país berço da epidemia, Espanha e Itália, os mais afetados na Europa, Estados Unidos e Israel. Todos foram unânimes em defender o "lockdown", o fechamento radical e temporário das atividades interpessoais, como forma de conter a pandemia.

Garcia aproveitou a reunião para pedir informações sobre insumos médicos para o governo paulista. Pediu aos cônsules que falem com empresários de seus países sobre a possibilidade de arrecadação de material para ajudar o trabalho das equipes de saúde, como máscaras e protetores faciais.

O espírito geral foi de solidariedade. Um diplomata europeu relatou que seus colegas compararam a disposição paulista com a turbulência registrada na esfera federal, em especial no entorno de Bolsonaro.

Na semana passada, o filho presidencial Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, gerou uma crise diplomática com a China.

Ele endossou, em postagens de redes sociais, que a ditadura comandada pelo Partido Comunista do país era responsável por lidar mal com o estopim da então epidemia do coronavírus, na província de Hubei.

O embaixador chinês, Yang Wanming, respondeu também em rede social de forma bastante dura, cobrando uma retratação do governo brasileiro. O chanceler Ernesto Araújo, apadrinhado por Eduardo, repreendeu o diplomata.

O azedume só melhorou na terça (24), quando, sob influência da ala militar do Planalto, o presidente falou com o líder chinês, Xi Jinping, por telefone. Araújo acompanhou o telefonema, que não teve pedido de desculpas, mas diplomaticamente reiterou a amizade entre os povos e a relação estabelecida em viagem do brasileiro ao país no ano passado.

Foi a solução possível para uma disputa com potencial danoso ao Brasil.

Com o aparente controle do pior da epidemia em território chinês, o governo Xi está promovendo uma ofensiva de "soft power" mundial, oferecendo equipamento, pessoal e ajuda para vários países. Há times de Pequim na Itália, por exemplo, onde já trabalham também especialistas militares em saúde russos.

A grande escala industrial de qualquer empreendimento chinês é vista como essencial para ajudar em esforços mundo afora contra a crise --insumos de todos os tipos vêm do país asiático também.

Não foi a primeira vez que Doria atraiu estrangeiros em meio a uma disputa com o governo federal. No fim de julho do ano passado, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, foi recebido pelo tucano após o presidente deixá-lo esperando para um encontro que não houve --Bolsonaro preferiu ir cortar o cabelo e fazer uma live.

Naquele momento, a França estava atacando o Brasil por causa dos incêndios florestais na Amazônia. Até hoje, o filho de Bolsonaro Eduardo, chefe de sua estratégia digital, chama Doria de "Macron brasileiro" em seus posts. O presidente francês, Emmanuel Macron, virou, naquele episódio, um dos maiores alvos das redes bolsonaristas.

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