Diplomata do Egito é seqüestrado em Bagdá
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domingo, 03 de julho de 2005
Folhapress 
SÃO PAULO - O representante do Egito que estava para ser oficialmente designado como o primeiro embaixador de um país árabe no Iraque foi sequestrado ontem em Bagdá por homens armados. Testemunhas disseram que Ihab al Sherif foi no final da tarde cercado por oito sequestradores na frente de uma banca de jornais. O grupo o acusou, em voz alta, de ser ''um espião americano''.
O sequestro prejudica o plano apoiado pelos Estados Unidos de encorajar países árabes vizinhos a credenciar em Bagdá diplomatas de alto nível. Seria uma forma de reconhecer o governo local, o primeiro eleito sob a ocupação americana, e de lhe dar maior legitimidade política regional.
O episódio ocorreu algumas horas depois que o secretário de Justiça americano, Alberto Gonzales, desembarcou de surpresa em Bagdá e elogiou o compromisso dos iraquianos com a democracia, diante dos atentados mortíferos da insurgência.
Sherif, 51, encontrava-se em Bagdá desde 1º de junho, mas com o status de ministro conselheiro, e não de embaixador. No mês passado o governo egípcio disse que planejava promover a missão chefiada pelo diplomata, por mais que não especificasse o prazo para oficializar a decisão.
Um dos vice-ministros iraquianos das Relações Exteriores, Ahmed Aboul Gheit, disse que Sherif era o representante do Egito junto a todo o povo iraquiano, e que seu status era o de chefe da representação, não de embaixador.
No Cairo, outro vice-ministro do Exterior, Hani Khallaf, disse esperar que os sequestradores entendam que Sherif estava em Bagdá para ''servir aos interesses do povo iraquiano'' e apelou para que ele recebesse, como refém, um ''tratamento compatível com sua condição de árabe''. ''Os sequestradores estão procurando dar ao Egito um recado, e Sherif seria a pessoa mais confiável para fazê-lo'', disse Khallaf. O Partido Islâmico Iraquiano, uma das mais fortes organizações sunitas, lançou apelo pela imediata libertação do diplomata.
Testemunhas relatam que Sherif guiava sozinho seu automóvel com placa diplomática quando estacionou perto de uma banca de jornais na rua Rabie, bairro de Jamaa, a oeste de Bagdá. Um dos sequestradores o atingiu com uma coronhada na cabeça, antes que o grupo o imobilizasse e o colocasse no porta-malas de um automóvel, que partiu em alta velocidade.
Foi o segundo sequestro de um diplomata egípcio no Iraque depois da deposição de Saddam Hussein. O primeiro, Mohammed Qutb, funcionário bem menos graduado, permaneceu alguns dias em poder de um grupo islâmico que acusava o Egito de pretender enviar militares ao Iraque. Um comunicado do Cairo negou tais planos, o que permitiu a libertação do refém.


