A política dos Estados Unidos, em um amplo arco que se estende do mar Mediterrâneo até as montanhas do norte do Afeganistão, está sofrendo uma série de confrontos. A violência entre palestinos e judeus nos últimos dias é apenas mais um exemplo.
Funcionários de Washington esperam que esses choques, iniciados logo depois da visita do líder oposicionista israelita Ariel Sharon a Jerusalém, possam ser detidos antes que se esvaia toda possibilidade de um acordo definitivo de paz. Esta, porém, não é a única preocupação norte-americana no Oriente Médio. Importantes violações ao embargo econômico das Nações Unidas contra o Iraque há dez anos causam grande inquietação. Há em Washington a certeza de que os altos preços do petróleo oferecem a Saddam Hussein um poder que não tinha desde o fim da guerra do Golfo.
Na Ásia central, os progressos do movimento fundamentalista islâmico Taliban, no Afeganistão, indicam que o Paquistão está apoiando os guerrilheiros locais e outros grupos em toda a região. Esse é outro grande motivo de preocupação para os Estados Unidos. O Taliban tomou Kabul à força, em setembro de 1996, e já domina 90% do território afegão.
A situação enfrentada pelos Estados Unidos no Oriente Médio faz lembrar a de 20 anos atrás, quando da primeira disparada dos preços internacionais do petróleo e quando a região parecia tão instável que era chamada de ‘‘o arco da crise’’. Segundo a visão própria da ‘‘guerra fria’’, a Rússia avançava no Afeganistão e apoiava os seus aliados na Etiópia contra a Somália e o Iêmem do Sul, com o suposto objetivo de ganhar uma posição estratégica ao longo do Mar Vermelho. O Ocidente também considerava que Moscou estava exacerbando a tensão no Oriente Médio, ao oferecer apoio à Síria e à Organização para a Libertação da Palestina, logo depois dos acordos de paz de Camp David (1979) entre Israel e Egito. Ao mesmo tempo, a revolução islâmica no Irã se convertia em uma nova ameaça, tendo em vista uma possível desestabilização da Arábia Saudita e de outros países do Golfo.
O processo de paz árabe-israelense, patrocinado pelos Estados Unidos, também realizou progressos desde os acordos de Camp David. Jordânia e Israel firmaram um tratado de paz, e os israelenses deixaram o Sul do Líbano depois de 22 anos de ocupação. Por isso, a maioria dos analistas acredita que, apesar da atual onda de violência, o acordo entre israelitas e palestinos é apenas uma questão de tempo. Contudo, quem quer que suceda a Clinton continuará encontrando problemas no Oriente Médio. Mesmo se um acordo fora alcançado na questão palestina, sua aplicação dependerá de aprovação legislativa para bilhões de dólares (US$ 18, provavelmente) para compensar Israel pela remoção de assentamentos judeus de territórios palestinos.
Saddam Hussein continuará desafiante como sempre. Ele já deu claros indícios de que quer fazer ressurgir seu protagonismo regional. Primeiro, acusou o Kuwait de roubar petróleo de depósitos iraquianos (a mesma acusação que deu origem à invasão de 1990), depois, enviou um avião de reconhecimento ao espaço aéreo da Arábia Saudita pela primeira vez em dez anos. A grande preocupação, contudo, é que Bagdá reduza ou interrompa a sua produção de petróleo para forçar ainda mais a tendência de alta no mercado internacional. Hoje o Iraque produz três milhões de barris diários.
Agora, vários vizinhos, entre eles a Jordânia, a Síria e o Iêmen, reabriram as suas fronteiras com o Iraque e as suas embaixadas em Bagdá, enquanto a França e a Rússia permitiram vôos à capital iraquiana.
A debilidade cada vez maior do regime de sanções das Nações Unidas contra o Iraque é uma das razões pelas quais Washington deseja acelerar uma reaproximação com o Irã, inimigo tradicional do Iraque.

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