JERUSALÉM - O fracasso da reunião entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente norte-americano, Bill Clinton, em Washington acabou com as ilusões de um desbloqueio rápido do processo de paz no Oriente Médio, enquanto que a violência aumentava ontem na Cisjordânia, devido à morte de dois palestinos.
Os palestinos reiteraram sua decisão de não aceitar qualquer proposta, a menos que a colonização seja suspensa, principalmente a construção de um novo bairro judaico em Jerusalém Oriental, motivo dos choques.
Contudo, o premier israelense afirmou, na saída de sua entrevista com Clinton segudna-feira em Washington, que não tem a menor intenção de suspender a colonização.
Desde que foi eleito, há dez meses, Netanyahu não parou de torpedear os acordos de autonomia firmados por seus predecessores trabalhistas com a OLP, retomando a colonização e rechaçando constantemente as principais reivindicações palestinas.
Netanyahu está sob a influência da ala mais radical de seu partido (Likud, conservador), o que o leva a rechaçar qualquer compromisso e a fazer ouvidos surdos aos apelos de seu predecessor, o trabalhista Shimon Peres, para formar um governo de união nacional, mais capacitado para a negociação.
Esta política impacienta cada vez mais o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, cujas esperanças diminuem em relação ao processo de paz, apesar de a comunidade internacional deplorar a atitude de Netanyahu e apoiar a Autoridade Palestina.
Arafat afirmou ontem que contava com os Estados Unidos para desbloquear a situação. ‘‘Netanyahu deve saber que estamos completamente comprometidos com o processo de paz, e que ele também deve cumprir seus compromissos’’, afirmou.

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