Brasília - Em duas horas de encontros na manhã de ontem, as presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, centraram suas discussões nas formas de blindar os dois países e a região das consequências do aprofundamento da crise econômica mundial.
Dilma, que segundo assessores passou os últimos dias discutindo os possíveis reflexos no Brasil da crise dos EUA, e a possibilidade de um calote do país em investidores, chegou a dizer que problemas bilaterais, como as barreiras comerciais, ''são de pouca monta'' e estão sendo resolvidos. ''Problemas que surgem aqui e ali e que estão se resolvendo são de pouca monta'', afirmou Dilma.
Na declaração à imprensa, as duas ressaltaram preocupações diferentes com os reflexos para a região. Dilma citou a ''avalanche de produtos manufaturados'' que, ''ao não achar mercado nos países desenvolvidos'', pode recair sobre a América do Sul. Já Cristina falou do ''ingresso de capitais especulativos as nossas moedas''.
As duas presidentes criaram ontem o Conselho Empresarial Brasil-Argentina. Esse fórum tem entre os seus objetivos, resolver a questão das barreiras comerciais que foram impostas pelos dois países desde o inicio do ano sem a interferência dos governos centrais.
Os setores mais prejudicados pelo problema foram o têxtil e de baterias, no caso do Brasil. Na Argentina, a maior prejudicada foi a indústria automobilística.
Esse problema ocorreu porque a Argentina adotou uma política de demorar até 60 dias para analisar os produtos brasileiros que são comprados pelos argentinos. Essa medida é chamada de licenciamento não automático.
Essa prática é considerada legal pelas regras de comércio internacional, porém, os argentinos têm demorado mais de 60 dias para liberar a entrada dos produtos brasileiros. Os setores de calçado, têxtil e baterias são os mais afetados pelas medidas argentinas.

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