Nova York- A difusão das imagens do estudante sul-coreano que protagonizou o massacre na Universidade Virginia Tech e a revelação de sua mensagem de ódio e desequilíbrio voltaram a levantar uma antiga controvérsia sobre qual seria o limite entre o direito do público à informação e o uso desta com fins sensacionalistas e com resultados prejudiciais.
A polícia e as famílias das vítimas mortas no tiroteio de segunda-feira criticaram a decisão da emissora em transmitir as imagens sob alegação de que o público não deveria ser exposto a algo tão perturbador.
As gravações e as fotos que o estudante enviou à rede NBC, aparentemente no intervalo entre os dois ataques que causaram a morte de 31 pessoas, mostra Cho Seung-Hui, de 23 anos, exibindo armas em poses ameaçadoras e declarações igualmente chocantes: ''Vocês têm sangue em suas mãos''.
Os executivos da NBC garantem que levaram horas angustiantes para decidir se exibiam ou não as imagens. ''Acreditamos que providenciamos algumas respostas para uma questão crítica: por que esse homem cometeu esses assassinatos horríveis?'', justificou a emissora.
''A decisão de transmitir esse vídeo foi virtualmente tomada por todos os meios de comunicação do mundo, como se pode ver na cobertura de telejornais, websites e jornais'', acrescenta o comunicado.
A rede NBC reconheceu que a decisão criou um problema ético e advertiu aos telespectadores que o material poderia afetar pessoas mais sensíveis.
O apresentador Brian Williams admitiu ''ter plena consciência de que, de fato, esta noite estamos transmitindo as palavras de um assassino''. No entanto, o âncora Matt Lauer disse ''que vai haver muito debate sobre se deveríamos ou não exibir isso''. A CNN exibiu as imagens e afirmou que elas proporcionavam um ''poderoso 'insight' da mente do assassino''. O canal FOX transmitiu a notícia, mas parou de mostrar as imagens sem explicar a decisão.
Suhail Samaha, primo de Reema Samaha, uma das vítimas, declarou: ''Não serviu para nada a não ser me deixar com mais raiva''.
O superintendente da polícia de Virginia, Steve Flaherty, também se mostrou contrário à decisão da NBC. ''Estamos decepcionados com a decisão editorial de transmitir essas imagens perturbadoras''.
Richard Wald, ex-presidente da NBC News e professor de jornalismo na Universidade de Columbia, explica que a emissora tem de pesar as questões legais, de interesse público e de bom senso antes de exibir tais imagens. ''Minha tendência seria divulgar, permitir que o público visse que tipo de pessoa é essa.''

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