Difícil acordo na conferência de Durban
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Das agências 
Na véspera do encerramento da Conferência Sobre Racismo, promovida pelas Nações Unidas, parece muito difícil um acordo com vistas à conclusão de um documento final, aceitável por todos os participantes. Ontem, a proposta sul-africana sobre o Oriente Médio apresentada ao Conselho Geral da conferência foi considerada aceitável pelos europeus, que ameaçavam abandonar o encontro. ''A proposta convém aos europeus, que agora esperam a reação da parte árabe'', declarou uma fonte próxima aos negociadores europeus, que pediu anonimato.
Os países árabes e os palestinos recusaram em seu formato atual o projeto sul-africano para a declaração final sobre o Oriente Médio da Conferência Contra o Racismo e querem emendá-lo.
O grupo árabe que participa da conferência ''não aceita o texto tal como está agora'', informou o porta-voz do ministério sul-africano das relações exteriores, Ronnie Mamoepa. ''Não rechaçam o texto, mas pedem emendas'', esclareceu uma fonte diplomática árabe.
O representante da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) na África do Sul, Suleiman Al Herfi, disse que ''tinha se reunido com o presidente sul-africano, Thabo Mbeki'', no começo da noite em Durban.
A proposta sul-africana de compromisso foi apresentada aos diversos grupos com a afirmação ''ou se aceita ou não'', excluindo qualquer modificação.
EscravidãoO bloco dos países europeus apresentou um projeto alternativo em resposta às exigências do Grupo Africano consideradas por eles inaceitáveis, por insistirem na admissão, pelos antigos colonizadores, de que o colonialismo e a escravidão foram crimes contra a humanidade. As consequências desse reconhecimento seriam o pedido de perdão e o pagamento de reparações aos descendentes das vítimas.
''Está difícil um consenso para a redação dos documentos finais da Conferência Mundial Contra o Racismo'', informou o embaixador Gilberto Sabóia, chefe da delegação do Brasil e coordenador do grupo de trabalho que estuda a questão da reparação. O diplomata previa que sua equipe avançaria pela madrugada no debate, para amanhecer hoje com um acordo.
A questão do passado é o ponto crítico na discussão entre os países da União Européia e os africanos. Os europeus reconhecem os erros e os males do colonialismo, da escravidão e do tráfico de escravos, mas não querem classificá-los como crimes contra a humanidade.


