Diana buscava estabilidade com Fayed
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Londres 
Por 16 anos, a princesa Diana foi o foco de milhares de câmeras na medida em que, de uma jovem ingênua, tornou-se uma das mulheres mais elegantes do mundo.
Mas Diana descobriu que a riqueza, um alto padrão de vida e os contatos certos necessariamente não compravam amor.
Seu casamento de 15 anos com o herdeiro do trono inglês, o príncipe Charles, terminou em um complicado e doloroso divórcio há um ano e, apesar de uma série de histórias ligando-a a vários homens, ela manteve suas companhias a uma distância segura. Entretanto, a mulher mais fotografada do mundo abriu uma exceção para Dodi Al Fayed.
Desde que seu relacionamento tornou-se uma propriedade pública no começo deste mês, Diana estava bem feliz em deixar a imprensa registrar momentos de carinho e paixão com o herdeiro de uma fortuna que incluia a Harrods, a mais luxuosa loja de departamentos de Londres.
Sua ligação com Al Fayed acrescentou um senso de estabilidade à sua vida, além da cruzada humanitária contra as minas terrestres que a levou a Angola e à Bósnia.
Certa vez, Diana disse que queria ser um tipo de embaixatriz, uma rainha no coração das pessoas. Com isso, ganhou a admiração do primeiro-ministro Tony Blair.
Segundo ele, a princesa deveria continuar suas boas ações porque ganharia muito respeito e admiração.
Diana recebeu um gelo do círculo real desde seu divórcio, mas era a mãe do príncipe William, o herdeiro do trono, sendo muito querida pela população da Grã-Bretanha.
France PressePompa e circunstânciaOs 15 anos de convivência com o príncipe Charles começaram na Catedral de St. Paul, em 1981: casamento do século
No entanto, nos últimos dois anos, a princesa preferiu mais o ostracismo.
Multimilionária depois de seu divórcio, ela preencheu sua vida com um trabalho assistencial a favor dos doentes de Aids e de crianças pobres, visitas a academias de ginástica e a terapeutas new age.
O relacionamento com a mídia, que ela chegou a cortejar - até cooperou com um livro escrito por um repórter de um tablóide que revelou detalhes íntimos sobre seu fracassado casamento - tornou-se difícil.
Aos 36 anos, Diana guardou pouca semelhança com a jovem que costumava corar e que cativou a Grã-Bretanha quando casou-se com Charles em uma cerimônia de contos de fada na Catedral de St. Paul, em 1981.
A acanhada e levemente roliça garota de 19 anos representava sangue novo para a antiquada família real e, no começo, foi seu principal bem.
Estou surpreso que ela foi corajosa o suficiente para tomar conta de mim, disse Charles na época de seu casamento.
Diana, 12 anos mais nova do que o príncipe, disse que eles estavam apaixonados. O que quer que isso signifique, Charles acrescentou rapidamente, como que sugerindo os problemas que estariam por vir entre o racional príncipe e a emotiva Diana.
A infância de Diana foi marcada pela separação de seus pais. Ela tinha apenas seis anos de idade e vivia com duas irmãs e um irmão numa propriedade de Sandringham, da família real, quando o casamento de seus pais chegou ao fim.
Nos primeiros anos de seu casamento, Diana chamava mais a atenção do que seu marido em todos os eventos da monarquia, atraindo o interesse das multidões e o foco das câmeras.
Mas em sua vida privada, estava desesperada com o desmoronamento de seu casamento e com um marido cujo amor ainda pertencia a outra mulher que invejava sua fama.
Segundo a rainha Elizabeth, a obrigação de Diana era a de ficar quieta, aceitando com dignidade as tradições da realeza que há muito tempo endossa a infidelidade masculina.
A recompensa da esposa estava nos privilégios e na celebridade oferecidos pela realeza.
Em novembro de 1995, Diana deu uma entrevista a uma televisão, sem o conhecimento de seus assessores ou até da rainha, na qual ela quebrou a estimada tradição real de reserva e estabeleceu suas exigências para seu futuro como uma ex-integrante da monarquia.
Ainda claramente abalada pela admissão de Charles feita um pouco antes a uma televisão de que tinha sido infiel somente depois que seu casamento terminou, Diana falou sobre seu próprio caso amoroso com um oficial de cavalaria e deu uma idéia do seu sofrimento devido à paixão de seu marido por Camilla Parker Bowles.
Diana disse como, em sua infelicidade, tinha desenvolvido a bulimia, uma doença alimentar de ordem nervosa, e descreveu os assessores da família real como seus inimigos.
E mais: lançou dúvidas sobre a capacidade do príncipe Charles de assumir as responsabilidades de um monarca.
Na ocasião, ela também disse ao mundo que não queria um divórcio porque temia que isso prejudicasse seus dois filhos, William, de 15 anos, e Harry, de 12.


