São Paulo - Grupos de oposição e partidários do presidente Mohamed Mursi voltaram a se enfrentar ontem em Alexandria, no norte do Egito, na véspera do segundo dia de votação do referendo sobre a nova Constituição do país.
O texto é uma das causas dos protestos de opositores ao novo governo, que acontecem há um mês. Em 22 de novembro, Mursi emitiu três decretos que aumentaram seus poderes e diminuíram a função da Justiça, desatando o início de protestos de grupos liberais e islâmicos moderados.
O ato de ontem teve início em frente à maior mesquita da cidade. Pouco após a oração do meio-dia, um grupo vinculado à Irmandade Muçulmana, a que pertence Mursi, se enfrentou com opositores, jogando pedras uns contra os outros, apesar do cordão de isolamento montado pela polícia para evitar confrontos.
Os agentes foram obrigados a intervir, lançando gás lacrimogêneo para tentar dispersar o grupo. Os enfrentamentos são os primeiros de um dia de manifestações de islâmicos em apoio ao presidente e opositores contrários à consulta sobre a Constituição, inclusive na capital Cairo. Nas últimas semanas, algumas dessas marchas terminaram de forma violenta.
O texto foi aprovado no último dia 30 pela Assembleia Constituinte dominada por islâmicos. Mursi e seus partidários dizem que a Constituição é vital para conduzir a transição democrática. Os opositores dizem que o texto esmaga os direitos das minorias, incluindo os cristãos, 10% da população.
Os atos aconteceram na véspera do segundo dia de votação do referendo sobre a nova Constituição. Na semana passada, os egípcios de dez áreas, incluindo o Cairo e Alexandria, votaram a favor ou contra o projeto da lei máxima.
Desta vez, outras 17 localidades receberão a votação. Na segunda fase da votação, é provável que o ''sim'' amplie a sua vantagem, já que a consulta será em localidades consideradas mais favoráveis aos islamistas, dizem analistas.

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