Dia de oração reduz bombardeios
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sexta-feira, 12 de outubro de 2001
France Presse<br> De Washington 
Os Estados Unidos reduziram as operações militares no Afeganistão ontem, porque ''sexta-feira é um dia santo muçulmano'', declarou o chefe de Estado Maior conjunto, general Richard Myers. ''As operações militares continuam, mas não temos operações programadas para hoje (ontem), porque sexta-feira é um dia sagrado para o Islã. Entretanto, temos forças prontas para atacar qualquer alvo que surja'', disse Myers à imprensa.
Na madrugada deste sábado, duas violentas explosões e rajadas da artilharia antiaérea já haviam sido ouvidas em Cabul, sobrevoada por vários aviões, segundo depoimentos de moradores da capital afegã.
Durante a mesma coletiva de imprensa, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld se negou a se comprometer com uma trégua aos bombardeios durante o mês muçulmano do Ramadã, que começa no dia 17 de outubro, porque os talibans dispõem atualmente - segundo ele - de aviões de combate e helicópteros.
Os talibans informaram que encontraram 160 corpos nos escombros do povoado de Kadam, no leste do Afeganistão, bombardeado na noite de quarta-feira, revelou a agência afegã AIP. ''Isto não é exagero. Outros corpos estão sendo encontrados'', disse um responsável taliban à agência AIP.
As equipes de resgate do governo permanecem no setor a procura de mais corpos e são auxiliadas pela população local, indicou o responsável. Segundo um responsável da agência oficial taliban Bajtar, o bombardeio ''tinha por objetivo um antigo acampamento de treinamento'' abandonado por seus ocupantes antes do início dos ataques aéreos, no domingo passado.
Os mulás afegãos anunciaram no dia de oração o lançamento de uma jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos, informou a agência afegã AIP, sediada no Paquistão e ligada aos talibans. ''Agora ficou comprovado que (o presidente norte-americano George W.) Bush é o maior terrorista do mundo e é nosso dever dar-lhe uma lição, como já fizemos com os britânicos e os soviéticos'', declarou um mulá ante os fiéis em uma mesquita de Jalalabad (Leste). ''A jihad é obrigatória para todo muçulmano e os que se associarem aos ataques norte-americanos devem morrer'', acrescentou.
Oposição afegã
conquista espaço e
recebe desertores
France Presse
De Islamabad
As forças de oposição afegã anunciaram ontem estarem se aproximando das capitais das províncias de Bamiyan e de Aibak e que é possível que consigam recuperá-las em breve, o que abriria caminho para Cabul. ''Nossas forças avançam rapidamente'', afirmou o porta-voz da oposição, Mohammad Ashraf Nadeem, em entrevista pelo telefone no Norte do Afeganistão.
O porta-voz afirmou que as forças da oposição antitaliban se encontravam ontem a quatro quilômetros de Bamiyan, capital da província de Samangan (Norte do Afeganistão). Bamiyan fica a 130 km ao Oeste de Cabul e Aibak a 220 km ao Norte da capital. ''Se os talibans continuarem tão fracos como estão neste momento nestas cidades, cairão logo'', afirmou um porta-voz.
Os talibans não reagiram na hora às declarações, feitas ao mesmo tempo em que o secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, declarava em Washington que a oposição deveria intervir contra os talibans nas áreas bombardeadas pelas forças dos EUA.
Forças da oposição tomaram uma capital provincial do centro do Afeganistão, e se acredita que forças do taliban no norte desertaram em direção à Aliança do Norte, informou um alto funcionário da defesa americana. O oficial confirmou informações da oposição de que a cidade de Chaghcharan, capital da província de Ghowr, foi ocupada por suas forças nas últimas 48 horas.
O funcionário disse que a ação era importante porque junta as forças predominantemente xiitas de Ismail Kahn com as do líder uzbeco Rashid Dostam, ao sul de Mazar-i-Sharif. O oficial disse que os militares americanos acreditam que é ''altamente possível'' que algumas forças do taliban tenham desertado para as forças Tajik antitaliban no norte, perto da cidade de Kunduz.


