Dia de luto no Haiti
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sábado, 13 de fevereiro de 2010
France Presse 
São Paulo- Ontem foi o dia nacional de luto no Haiti, em memória das 217 mil vítimas do terremoto que devastou o país há exatamente um mês, no momento em que se aproxima a temporada de chuvas e de furacões, causando temor em um milhão de pessoas desabrigadas. ''O Haiti não morrerá, o Haiti não pode morrer'', disse o presidente haitiano, René Preval, que vestia uma roupa branca e usava um bracelete preto, em uma das várias cerimônias realizadas em Porto Príncipe lembrando um mês do terremoto.
A cerimônia, organizada na Universidade Notre Dame, na capital, foi transmitida pelo rádio e pelas redes de televisão do país. A intenção foi marcar o primeiro mês depois do violento tremor, quando 12 milhões de haitianos ainda não têm onde morar.
O jornalista Marcus Garcia, diretor da Rádio Mélodie FM, que perdeu a mulher no terremoto, fez um dos discursos da cerimônia. ''Naquele 12 de janeiro a terra tremeu, e o Haiti caiu no vazio... Mas somos um povo muito orgulhoso e forte na adversidade, que demonstrou grande sentido de solidariedade'', disse Garcia.
Centenas de milhares de pessoas, a maioria vestidas de branco, se reuniram desde as 6 horas da manhã (11 horas GMT) na praça Champs de Mars, perto das ruínas do Palácio Presidencial, em cujos arredores foi instalado um dos maiores campos de refugiados de Porto Príncipe. O número total de desabrigados é estimado em cerca de 1,2 milhão.
Em vários campos de refugiados, homens e mulheres se banhavam com baldes e jarros, para em seguida sair vestidos com suas melhores roupas. As pessoas caminham juntas, em família, rumando para um dos serviços religiosos organizados na capital. Algumas missas foram programadas nas valas comuns onde milhares de corpos foram enterrados com urgência, nas cercanias da capital. Os que perderam suas casas fecharam algumas ruas e se reuniram para rezar em frente a um altar improvisado.
''Todas as religiões do Haiti, estamos reunidos aqui para orar porque o Haiti agora tem riqueza espiritual na eternidade'', disse um pastor na praça Champs de Mars, pregando para uma multidão que gritava ''aleluia'' e levantava as mãos para o alto com fervor.


