Dia D: o sonho americano 60 anos depois
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sábado, 05 de junho de 2004
France Presse 
Paris - Chocolates, cigarros, gomas de mascar e meias de náilon: no dia 6 de junho de 1944 os soldados americanos que desembarcaram na Normandia (noroeste) para livrar a França do jugo nazista também carregavam uma parte do american way of life, o sonho americano que permanece até hoje no velho continente.
Os Estados Unidos significavam tanto para nós! Primeiro o inacessível: o jazz, o cinema, a literatura... Os Estados Unidos também eram a terra que veio nos libertar, era o futuro, a abundância e os horizontes infinitos. Dessa maneira a escritora Simone de Beauvoir descreveu o desembarque aliado na Normandia.
Os americanos traziam em suas maletas objetos e comida com as quais a França ocupada não podia sonhar há meses. Para as crianças da época, o desembarque continua associado ao chocolate distribuído pelos soldados em seus automóveis militares.
Os jovens descobriram a Coca-Cola, refrigerante distribuído pelo exército ao mesmo tempo que os mantimentos de emergência. A fábrica para engarrafar a bebida se instalou na França pouco depois da chegada das tropas aliadas.
Ao mesmo tempo, os franceses passaram a fumar cigarros made in USA e as mulheres descobriram novos produtos para cozinhar. Para as garotas, os soldados americanos traziam as meias de náilon.
Os fãs de música entraram em um novo mundo. Toda uma geração descobriu ou redescobriu o jazz. O clarinetista Hubert Rostaing retomou os sucessos de Benny Goodman que haviam sido afrancesados durante a ocupação.
Sessenta anos depois do Dia D, todos os que acompanharam a operação se lembram dos uniformes, capacetes, sapatos e pequenos objetos que o exército de libertação exibia para os franceses boquiabertos. Tudo tinha um lado mágico, afirmam as testemunhas, que naquela época não passavam de crianças.
Os filmes americanos inundaram os cinemas franceses e os espectadores fizeram filas intermináveis para assistir a série de longas-metragens do coronel do exército dos Estados Unidos Frank Capra: Why We Fight (Porque lutamos). Clássicos proibidos foram reexibidos na França, como os longas-metragens de Tarzã.
Aqueles eram os anos 40, muito longe dos dias em que os muros franceses seriam pintados com a frase US go home (Estados Unidos vão para casa), nos tempos da guerra fria, e hoje pelos pacifistas contrários à guerra no Iraque.
Bush na França - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou ontem à Paris para uma visita de dois dias, durante a qual se reunirá com o presidente Jacques Chirac e participará das comemorações do 60º aniversário do desembarque na Normandia.
Bush chegou a Paris procedente de Roma, onde se reuniu na sexta-feira com o Papa João Paulo II e com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.
O presidente americano se encontrou com seu colega francês no final da tarde, antes de um jantar oficial. Hoje viaja à Normandia para participar da celebração de 6 de junho.
Saia justa - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou ontem que quis evitar um constrangimento ao presidente francês, Jacques Chirac, ao desistir de acompanhar hoje as comemorações de 60 anos do desembarque aliado na Normandia.
O presidente francês estava desconfortável devido à situação histórica da Itália na época, declarou Berlusconi ao ser perguntado sobre o tema durante a entrevista coletiva conjunta, em Roma, com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Berlusconi se referia ao fato da Itália na época ser aliada da Alemanha nazista.


