O gabinete de Israel fracassou ontem em definir a extensão da devolução, há muito tempo adiada, de terras da Cisjordânia aos palestinos e decidiu resolver o delicado assunto em outra reunião amanhã. Mas ministros do gabinete enfatizaram que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não estaria pronto para discutir a retirada em termos de pontos percentuais quando encontrar-se com a secretária de Estado americana Madeleine Albright na quinta-feira.
Oficiais disseram que a reunião seria dedicada principalmente à visão do governo sobre as futuras fronteiras com a Cisjordânia, ao invés de uma retirada interina. Mas o ministro das Relações Exteriores, David Levy, disse que Netanyahu não se encontraria com Madeleine Albright ‘‘de mãos vazias’’.
‘‘Ele chegará (à reunião) com opções que serão discutidas com a secretária de Estado, que serão capazes de acelerar o processo’’, disse Levy à Rádio Israel. Uma declaração do gabinete citou Netanyahu dizendo aos ministros que Israel não faria decisões apressadas ‘‘sob qualquer tipo de pressão’’.
Do lado de fora do escritório do primeiro-ministro em Jerusalém, algumas centenas de assentadores israelenses - que normalmente apóiam Netanyahu - protestaram ontem contra qualquer tipo de adiamento da devolução de terras aos palestinos, segundo informaram testemunhas.
Na semana passada, o jornal israelense Ha’aretz citou uma declaração de Netanyahu na qual disse que Madeleine Albright esperava que Israel devolvesse pelo menos 12% da Cisjordânia, enquanto ele havia oferecido de 6 a 8%. Os palestinos exigem a devolução de 30% das terras. Os Estados Unidos estão tentando atingir um meio-termo entre as duas partes.

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