Deus não criou o Universo com vara mágica, diz papa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Reinado José Lopes<br>Folhapress 
São Paulo - Ao criar o Universo, "Deus não agiu como um mago, usando uma varinha mágica para fazer tudo", declarou nesta segunda o papa Francisco, afirmando que o Big Bang e a evolução das espécies foram instrumentos do Criador para permitir que o Cosmos e o ser humano atingissem suas potencialidades.
Francisco abordou esses temas, que ainda dividem religiosos e cientistas mundo afora, em um discurso para os membros da Pontifícia Academia de Ciências, órgão do Vaticano que reúne 80 cientistas de prestígio nomeados pelo papa.
A teoria da evolução afirma que todos os seres vivos atuais descendem de um ancestral comum, e que o principal mecanismo responsável pelo surgimento das características desses seres é a seleção natural. Já o Big Bang é uma explosão primordial que deu origem ao Universo. Não é a primeira vez que a Igreja aceita a validade destes pilares da ciência.
A academia inclui vários ganhadores do Prêmio Nobel e dois brasileiros, o neurocientista Miguel Nicolelis e o físico Vanderlei Bagnato. "Deus deu autonomia aos seres do Universo, ao mesmo tempo em que lhes assegurou sua presença contínua", declarou o pontífice argentino. "Ele os criou e deixou que se desenvolvessem de acordo com as leis internas que estabeleceu para cada um deles. O Big Bang, que hoje se coloca como origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas a exige. A evolução, na natureza, não contrasta com a noção de criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que passam a evoluir", afirmou Francisco.
O discurso para os membros da academia aconteceu depois que o papa inaugurou um busto de seu antecessor, Bento 16, que renunciou no ano passado.
O tema da reunião atual da academia pontifícia é justamente a evolução do conceito de natureza, da visão estática que predominava na Antiguidade à visão dinâmica, em constante mutação, trazida pela ciência moderna.
Francisco aproveitou também para advertir os cientistas sobre o potencial da natureza humana para o bem e para o mal, que permite ao homem tanto proteger a evolução da criação divina como destruí-la, segundo o papa.


