O papa João Paulo II afirmou ontem, durante celebração do 25º aniversário de seu pontificado, que Deus estava pedindo para ele continuar liderando a Igreja Católica apesar de seu frágil estado de saúde. ''Ele (Deus), sabendo de minha fragilidade humana, me encoraja a responder com fé (...) e me convida a assumir as responsabilidade que ele mesmo me confiou'', declarou o papa, durante uma homilia assistida por dezenas de milhares de fiéis na Praça São Pedro.
A saúde do papa, que se deteriorou nos últimos meses, ofuscou as comemorações ontem dos 25 anos de pontificado, e muitos dos prelados que assistiram às cerimônias admitiram a preocupação com seu estado físico. O papa, que sofre há vários anos do mal de Parkinson, apareceu alegre e saudou os prelados e religiosos que assistiam à apresentação de um documento sobre o bispo do terceiro milênio.
''Ser o pastor de seu rebanho é hoje em dia particularmente fatigante e exigente'', admitiu recentemente o papa, que mais do que ninguém conhece seus limites físicos, depois de ter sido o pontífice mais jovem, robusto e atlético da história recente. ''Minha impressão está dividida'', afirmou o cardeal Francis George, 66 anos. ''Por um lado sinto gratidão e felicidade e por outro lado menos, porque se notam as dificuldades para respirar'', declarou o cardeal.
O arcebispo de Havana, Jaime Ortega y Alamino, 67 anos, tampouco estava entusiasmado. ''Está mais ou menos'''' comentou o cardeal cubano, artífice da histórica visita do papa a Cuba em 1998. Para o monsenhor John Patrick Foley, 68 anos, presidente do conselho para as comunicações sociais, ''é evidente a diferença entre o papa eleito há 25 anos e o de hoje'. ''Para nós é de qualquer maneira um exemplo, uma testemunha do sofrimento'', afirmou.
''Estamos felizes por estar com ele, esperamos que possa governar a igreja por mais tempo'', disse o cardeal brasileiro Claudio Hummes, 69 anos. ''Ninguém acha que o fim do Papa seja iminente. O importante é estar aqui para as comemorações'', acrescentou o cardeal sul-africano Wilfred Napier, 62 anos. Imobilizado numa espécie de trono com rodas, João Paulo II falou com voz baixa e quase inaudível por poucos minutos aos assistentes.
A missa solene pelos 25 anos de pontificado, concelebrada por cerca de 300 cardeais e bispos, doi um dos mais longos da história da Igreja Católica, e pediu aos fiéis de todo o mundo que rezem para que ele possa seguir com sua missão. ''Eu lhes rogo, queridos irmãos e irmãs, que não interrompam esta obra de amor pelo sucessor de São Pedro. Eu lhes peço mais uma vez: ajudem o Papa e a todos os que querem servir ao homem e a humanidade inteira'', afirmou o papa em sua homilia.
Visivelmente cansado, com a voz fraca e problemas de dicção, o Sumo Pontífice de 83 anos pronunciou apenas o início de seu discurso, que depois foi lido pelo monsenhor Leonardo Sandri, substituto da Secretaria de Estado. Mais de 50.000 pessoas acompanharam a cerimônia, que também contou com as presenças do presidente polonês Aleksander Kwasniewski e do ex-presidente Lech Walesa, líder na década de 80 do sindicato clandestino ''Solidarnosc'' (Solidariedade), ligado ao papa, além do presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi, e das delegações de 18 países.

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