Determinado, Gore diz que tem 50% de chance de vitória
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Com suas chances de reverter na Justiça o resultado oficial da eleição presidencial na Flórida diminuindo com o passar das horas, o vice-presidente Albert Gore insistiu ontem que suas possibilidades de chegar à Casa Branca continuam a ser de 50% e manifestou-se confiante na vitória.
Gore, que perdeu para George W. Bush por apenas 537 votos num total de quase 6 milhões do Estado da Flórida, terá que provar muitas vezes sua determinação de resistir às pressões crescentes para que aceite a derrota.
Na noite de terça-feira, ele sofreu a primeira derrota em seu processo de contestação judicial da eleição. Em Tallahassee, capital da Flórida, o juiz N. Sanders Sauls, rejeitou o pedido para acelerar a fase de instrução do processo, ordenando o início imediato da recontagen manual de cerca de 14 mil votos em branco dos distritos de Palm Beach e Miami-Dade, que até agora passaram apenas pela apuração mecânica.
Mesmo que Sauls aceite a queixa do vice-presidente, é improvável que está será concluída a tempo de permitir que uma eventual anulação da certificação do resultado oficial das eleições na Flórida ocorra antes do dia 12 de dezembro, quando as assembléias legislativas dos estados confirmarão a eleição de seus representantes no colégio eleitoral. Por via das dúvidas, os líderes da maioria republicana do legislativo da Flórida já deram os primeiros passos para cumprir essa parte do ritual e selar a escolha de 25 grandes eleitores pró-Bush numa sessão especial, a ser realizada antes do prazo.
Mas a ação judicial de Gore poderá ganhar novo alento a partir de amanhã se a Suprema Corte dos Estados Unidos confirmar a aposta da maioria dos especialistas e rejeitar pedido de Bush para que invalide, por inconstitucionalidade, uma decisão tomada na semana passada pela Suprema Corte da Flórida ampliando o prazo legal para a certificação do resultado da eleição pelo executivo do Estado.
A batalha judicial e a campanha de relações públicas que Gore trava para produzir mais uma reviravolta na saga eleitoral americana podem receber um ajuda crucial em um outro processo em curso na Flórida.
Trata-se de uma ação iniciada por um advogado democrata de Seminole para impugnar todos os 15 mil votos por correspondência do distrito. Harry N. Jacobs alega que a supervisora eleitoral do distrito, que é republicana, agiu ilegalmente ao permitir que militantes de seu partido passassem dez dias em seu escritório preenchendo partes de 4.700 formulários de requisição de votos por correspondência para militares em serviço no exterior.
Uma emenda aprovada pela assembléia legislativa estipulou que os documentos de requisição desses votos só podem ser preenchidos pelo eleitor, por um membro de sua família ou por um procurador legal.
A campanha de Gore não se associou à ação porque o objetivo desta, de anular votos, conflita com o argumento central de sua contestação judicial do resultado da eleição da Flórida, que é garantir que todos os votos, e especialmente os votos em branco, sejam contados manualmente, em lugar de serem ignorados.
Os advogados de Bush tentaram convencer a juíza encarregada do caso, Nikki Ann Clark, a consolidá-lo com o processo de contestação da eleição iniciado por Gore.
Mas ela se recusou a fazê-lo, determinou que o caso seja tratado isoladamente e marcou o julgamento para o dia 6 de dezembro. A juíza é democrata, negra e teve seu nomeação para a corte de apelações do Estado recentemente rejeitada pelo governador Jeb Bush, que é irmão do candidato presidencial republicano.
Alguns observadores acreditam que esse caso oferece mais chances para Gore conseguir o que quer, pois a anulação dos 15 mil votos por correspondência colocaria o vice-presidente cerca de 4 mil votos à frente de Bush no Estado.
A dúvida é se esse desfecho e sua eventual confirmação pela Suprema Corte da Flórida seria suficiente para convencer a maioria republicana da assembléia legislativa da Flórida a sustar seu plano de escolher uma lista de grandes eleitores de Bush no colégio eleitoral.


