Quito - Um movimento de protesto pacífico seguido por quase 90% dos prisioneiros do Equador que pedem principalmente reduções de penas radicalizou-se com crucificações simbólicas de presos, informou ontem Washington Grueso, um porta-voz dos detentos.
Seis presos, entre eles três estrangeiros acusados de tráfico de drogas uma brasileira, um chileno e um colombiano foram amarrados a cruzes na quinta-feira em dois centros penitenciários do porto de Guayaquil. Dois destes prisioneiros permaneciam ''crucificados'' ontem, frisou Grueso.
''Iniciamos uma etapa de crucificações em todas as prisões do Equador para exigir do Congresso uma mudança radical no sistema das penas'', explicou. ''Não receberemos visitas neste fim de semana. As medidas serão radicalizadas, e provavelmente precisaremos da ajuda do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)'', prosseguiu o representante dos detentos.
Alguns dos prisioneiros não se limitaram a se amarrar a cruzes. O chileno Daniel Pentenero, que também está observando uma greve da fome, foi crucificado com pregos. Outros foram até mais longe, e costuraram a própria boca, afirmou Grueso.
Os prisioneiros, que também protestam contra a superlotação das prisões equatorianas, controlam sete centros penitenciários, entre eles os dois maiores em Quito e em Guayaquil. As autoridades reforçaram a segurança em torno dos estabelecimentos para evitar qualquer tentativa de fuga.
Na quinta-feira, o ministro do Interior equatoriano, Mauricio Gandara, e representantes dos presos se encontraram, mas não conseguiram chegar a um acordo para desbloquear a situação. ''Não pudemos concluir um acordo porque o governo não tem política de reinserção'', declarou Grueso.
Segundo o porta-voz dos prisioneiros, o ministro ''se limitou a pedir o fim do movimento de protesto'' sem oferecer nada em troca. ''Não cederemos enquanto o Congresso não emitir propostas para reduzir as penas'', avisou. O Congresso está reunido desde quinta-feira para debater sobre uma reforma do sistema das penas no Equador.
De acordo com Grueso, a aprovação pelo Poder Legislativo de uma emenda sobre este assunto permitiria aliviar a tensão, mesmo se existem outras reivindicações ligadas à superlotação, à reinserção e à corrupção dentro do sistema penitenciário. Segundo Grueso, as 34 prisões do Equador abrigam 11.650 pessoas, mas têm capacidade para apenas 6.500 detentos.
Os prisioneiros também pedem que sejam libertados os que estão detidos há mais de um ano esperando seu julgamento, ou seja, cerca de 65% da população carcerária. Grueso destacou que a brasileira, o chileno e o colombiano estão neste caso. ''A brasileira está presa há um ano e meio, o chileno há dois anos e o colombiano há um ano e nove meses'', ressaltou.

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