Destruir arsenal na Síria será difícil, dizem analistas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
France Presse 
Londres - Destruir o arsenal de armas químicas da Síria seguindo o plano russo seria "extremamente difícil" e não serviria muito para por fim ao conflito, avaliou ontem o analista Mark Fitzpatrick, do britânico Instituto Internacional para os Estudos Estratégicos (IISS).
Rússia e Irã teriam de desempenhar um papel-chave no desmantelamento das armas armazenadas pelo regime do presidente Bashar al-Assad, em um processo que duraria anos, ainda de acordo com especialistas desse think tank, com sede em Londres.
"Nunca soube de uma situação na qual a comunidade internacional tentasse assegurar, tomar e acabar com armas de destruição em massa durante um conflito em curso", disse Fitzpatrick, especialista em temas de proliferação do IISS.
"O melhor caso era no Iraque, mesmo então, as equipes levaram meses e anos para destruir o arsenal. Na Líbia, já se passaram anos e ainda não se destruiu todo o gás mostarda", afirmou.
"É extremamente difícil. O Departamento da Defesa americano avaliou que 75 mil tropas deveriam garantir a segurança das armas químicas" na Síria, acrescentou.
Moscou e Washington analisavam ontem, em Genebra, o plano russo para eliminar as armas químicas e evitar uma intervenção estrangeira no país. Em entrevista a uma rede de televisão russa, Assad confirmou ontem que a Síria entregaria suas armas químicas.
O diretor do ISS, John Chipman, considerou que a comunidade internacional não deve permitir que a busca da paz na Síria se reduza ao assunto mais específico das armas químicas. "Saber se essa diplomacia sobre a utilização de armas químicas acelera a diplomacia para a resolução da guerra civil síria é outro assunto."
"O processo de colocar as armas químicas sírias sob controle internacional será longo e disputado. Esse esforço deveria ser usado para ajudar, não para dissipar os esforços para resolver o conflito atual".
Relatório
Os inspetores da ONU entregarão na segunda-feira o relatório sobre o suposto ataque de gás venenoso na periferia de Damasco no mês passado, segundo o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius. O documento poderá confirmar ou desmentir a acusação de Estados Unidos, França e Reino Unido de que houve a aplicação de agentes químicos na região. Segundo os países ocidentais e rebeldes sírios, a ação foi comandada pelo regime de Bashar al-Assad e deixou centenas de mortos. (Com Folhapress)


