Destruição no interior é apavorante
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
France Press De Genebra 
As equipes da Cruz Vermelha vão descobrindo, a medida que avançam em zonas rurais salvadorenhas, a amplitude da tragédia provocada pelo terremoto de sábado. Segundo os últimos números oficiais de ontem o abalo provocou pelo menos 666 mortes e perdas de um bilhão de dólares. A contabilidade inclui a destruição total ou parcial de residências, prédios públicos e privados, danos as estradas, assim como perdas agrícolas, explicou à imprensa o ministro da Fazenda, José Luis Trigueros. No entanto, os cálculos são provisórios, pois as instituições estatais ainda estão realizando uma avaliação dos danos e das perdas sofridas pela população, o que certamente fará a cifra aumentar, afirmou o funcionário. Alguns povoados ficaram praticamente destruídos, o que poderia aumentar o número de mortos e desaparecidos, informou ontem em Genebra, Christopher Black, porta-voz da organização.
No departamento de Libertad (sul de San Salvador) 430 casas da localidade ficaram destruídas (80%), enquanto que na parte rural foram 2.400 casas, 90%, informou Black, expert da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha, segundo informações recebidas à tarde. No povoado de Kajayaque, do mesmo departamento, 1.800 casas foram destruídas. Já em Burras, povoado a 100 km de San Salvador, 2.300 casas foram destruídas. Para Black, uma avaliação completa dos danos em El Salvador pode levar pelo menos uma semana.
Tememos descobrir outras comunidades rurais nesse estado. Isso significa muitas pessoas sem casa e mais desaparecidos, dos quais até o momento não temos idéia, acrescentou.
Em Comasagua, 30 km ao leste de San Salvador, cidade sobre a qual circulavam informações contraditórias a respeito da gravidade dos danos, as equipes da Cruz Vermelha chegaram ontem de manhã a pé e rapidamente vão fazer uma primeira avaliação dos danos. No que diz respeito a Las Colinas, zona habitada que foi sepultada por uma avalanche de barro, as esperanças de encontrar sobreviventes são praticamente inexistentes, declararam os experts em Genebra.
Os socorristas manifestaram inquietação pelas repetições dos tremores que seguem afetando a região, entre eles dois fortes, registrados ontem de manhã.
Segundo os últimos dados, o número de mortos subiu para 666, enquanto 2.538 pessoas estão feridas, 45.694 casas danificadas e outras 16.454 foram destruídas, de acordo com um informe da Polícia Nacional Civil (PNC), divulgado ao meio-dia em San Salvador.
Por outro lado, centenas de camponeses que moram em encostas de morros no povoado de Comasagua, a 28 km de San Salvador, permaneciam, ontem, sem alimentos e sob o perigo de morrer arrastados por uma avalanche. Os camponeses, que vivem da colheita de café nas fazendas da localidade, se mantêm entre os cafezais à espera de entidades de socorro que lhes dêem alimentos e roupas, perdidas sob os escombros de seus barracos de barro e madeira, derrubados pela força do terremoto.
No local, segundo o prefeito José Enrique Pérez, o terremoto havia deixado seis mortos, 35 desaparecidos e 85% das casas derrubadas no próprio centro do povoado e em muitos cantões dos arredores.


