MOSCOU - O Presidente russo, Boris Yeltsin, destituiu ontem o Ministro da Defesa, Igor Rodionov, por considerar que ele ‘‘não fez nada’’ para apressar a reforma do exército, e nomeou para substituí-lo interinamente o general Igor Sergueyev, anunciou o secretário da Defesa, Iuri Baturin, às agência de notícias russas.
O comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, Viktor Samsonov, também foi destituído, segundo Baturin, mas o Kremlin não confirmou imeditamente esta informação.
Rodionov, nomeado ministro em julho de 1996, foi muito criticado ontem, durante a reunião do Conselho, pelo Presidente Boris Yeltsin, que disse estar não só ‘‘insatisfeito como indignado com a maneira com que se tem levado a cabo a reforma do exército’’.
‘‘O soldado emagrece, o general engorda (...) Construíram dachas em toda a Rússia. De onde vem esta moda?’’, perguntou o Presidente, acusando os generais de serem ‘‘o principal obstáculo à reforma do exército’’.
‘‘Vocês carregam as estrelas, mas não fazem nada para mudar a imagem do exército, a fim de que os representantes da nova geração admirem as pessoas que usam uniformes, como acontecia antes’’, continuou.
O Conselho de Defesa reuniu-se ontem para discutir a reforma militar russa, que prevê a redução drástica dos efetivos do exército russo, que conta hoje com 1,7 milhão de homens.
O objetivo principal desta reforma é reduzir os gastos do exército, que ‘‘não deverão superar 3,5% do PIB até o ano 2000’’, contra os atuais 5%, segundo Yeltsin.
No início deste ano já circulavam rumores sobre a possível destituição de Rodionov, quando a divergência entre ele e Baturin, sobre a forma de realizar a reforma militar, veio a público.
Na última terça-feira, Yeltsin criticou seu Ministro da Defesa por ter iniciado a reorganização e a redução da única força que ele mesmo não queria reduzir: os pára-quedistas, considerados pelo Presidente a elite do exército.

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