France PressAdeusMilhões de pessoas acompanharam, em pessoa, o cortejo fúnebre com o corpo de Diana pelo centro de Londres, tributando-lhe uma homenagem que ultrapassou tudo o que se viu na própria História da Grã-BretanhaUma manhã radiante como o sorriso dela. Nem uma nuvem empanando o azul do céu, o que é quase um milagre nessa Londres famosa pelo cinzento dos seus dias. E um dia de despedida que ninguém jamais poderia prever fosse chegar tão cedo para a princesa que sacudiu a monarquia britânica, confortou vidas miseráveis, deu esperança de um futuro menos sofrido a crianças de todo o Reino, e ainda encontrou tempo para lutar contra uma das armas mais cruéis inventadas pelo homem: as minas terrestres. Tudo isso sem perder o charme e sem descuidar da beleza e da elegância.
Diana, uma princesa com os pés no chão, como o irmão Charles recordou no seu tributo, aplaudido pelo povo nas ruas e por todos os que tiveram a honra e o privilégio de estar com ela na Abadia de Westminster, deixou marca profunda na consciência dos britânicos. E como prova disso pode ser apontada a maneira como a multidão que lotou as imediações do templo se comportou durante o cortejo fúnebre e a cerimônia religiosa. A reflexão, o respeito, a participação nas orações e nos cantos, a dispersão ordenada e silenciosa, no final.
A mesma tristeza percebida nos semblantes do irmão Earl, dos filhos William e Harry, do príncipe Philip e do príncipe Charles, na caminhada que fizeram do Palácio de Kensington até a histórica abadia, atrás da carruagem militar que carregava a urna com o corpo de Diana, estava presente por todos os lados. E não só das pessoas mais velhas, capazes de compreender melhor o que ela foi e fez para a humanidade, mas também de adolescentes e até de meninos e meninas em idade escolar.
Não faz muitos anos, referindo-se a um artigo escrito sobre ela em um dos tablóides, que atribuía a crise no seu relacionamento com o príncipe Charles e com a Família Real a um certo despreparo intelectual, Diana reagiu com o humor que é típico dos ingleses. ‘‘Eu confesso que tenho o cérebro do tamanho de uma ervilha e que sou burra como uma porta’’, ironizou.
Realmente, incrível que aquela gorota acanhada que apareceu nas primeiras fotos do noivado com o herdeiro do Trono, com um mínimo de leitura e instrução acadêmica, tenha levado o mundo de roldão, despertado tantos bons sentimentos na humanidade, causado tanto furor na imprensa e, no final, aos 36 anos, se transformado em ‘‘uma estrela no firmamento’’, como diz a canção composta por Chris de Burgh e gravada 24 horas antes do seu sepultamento.
Nos últimos 45 anos, os britânicos envolveram-se em três grandes cerimônias fúnebres, a do rei George VI, pai da rainha Elizabeth II; a de Sir Winston Churchill, ex-primeiro-ministro e herói da Segunda Guerra Mundial; e a de lorde Mountbatten, vice-rei da Índia durante o Império Britânico e uma das figuras mais influentes na vida do príncipe Charles. Mas, como declarou o jornalista Simon Jenkins depois da cerimônia religiosa, não se percebeu naquelas ocasiões sentimento igual ao que a morte trágica da princesa de Gales despertou em toda a nação.

mockup